Os automóveis modernos podem ser destrancados e ligados com toda a comodidade através de rádio. É precisamente essa facilidade que os ladrões exploram - muitas vezes sem deixar sinais visíveis. E há um “ajudante” barato de cozinha que pode fazer uma diferença enorme e estragar os planos a criminosos de alta tecnologia.
Como as chaves por rádio facilitam a vida aos ladrões de automóveis
Em tempos, quem queria roubar um carro tinha de partir um vidro ou perder tempo a mexer em cabos. Hoje, o ataque vai directamente à tecnologia de rádio que existe em praticamente todos os sistemas keyless. O pequeno emissor integrado na chave do dia a dia mantém comunicação constante com o veículo, normalmente em frequências a rondar os 315 ou 433 megahertz.
O condutor nem dá por isso: o automóvel detecta a presença da chave, destranca, e basta carregar no botão de arranque. É exactamente esta lógica - o facto de ninguém precisar de pegar na chave - que torna o método tão apelativo para os criminosos.
Ataque por retransmissão (relay): a chave fica no hall - o carro desaparece
A técnica mais conhecida chama-se “relay attack”. Costuma envolver dois autores a actuar em equipa:
- A pessoa A posiciona-se perto da porta de casa ou do apartamento.
- A pessoa B fica junto do carro estacionado.
- Um dispositivo “prolonga” o sinal da chave que está dentro de casa.
- O automóvel “acredita” que a chave está mesmo ao lado e destranca.
- O motor pega e o ladrão vai-se embora - sem a chave original.
"O carro desaparece, embora a chave esteja segura dentro de casa. É exactamente este cenário que se tem repetido há anos."
Para isto, não é preciso equipamento digno de um filme de espionagem. Amplificadores de sinal e os chamados “code grabbers” circulam há muito na Internet e até em feiras, por vezes por apenas algumas centenas de euros.
Captadores de sinal e de código: copiar ondas de rádio
No caso dos captadores de sinal ou de código, o objectivo é apanhar o que a chave transmite e imitar esse sinal. Se alguém estiver por perto com um destes aparelhos, pode, em certos casos, interceptar o código no momento em que abre ou fecha o carro.
Há sistemas mais bem protegidos e outros menos - e muitos condutores nem imaginam quão vulnerável é o seu modelo. Só percebem que existe uma falha quando, de manhã, encontram o lugar de estacionamento vazio.
Porque é que a folha de alumínio torna a chave por rádio subitamente “silenciosa”
É aqui que entra a folha de alumínio. Não há nada de esotérico no truque; é física pura. Ao envolver a chave, está basicamente a criar uma pequena “gaiola de Faraday”.
Trata-se de um invólucro que bloqueia campos eléctricos e electromagnéticos. O princípio é usado em laboratórios de medição e também está por trás de algumas capas de protecção para telemóveis.
"A folha de alumínio conduz electricidade muito bem. As ondas de rádio correm pelo exterior - e para o interior quase nada entra."
Quando o sinal de rádio atinge a folha, a corrente desloca-se pela superfície da camada de alumínio. Em vez de atravessar e chegar à chave, a onda é desviada. Resultado: a chave deixa de emitir para fora e também praticamente deixa de receber sinais.
Como envolver a chave correctamente
A folha de alumínio doméstica costuma ser suficiente. O que faz a diferença é a forma como a utiliza:
- Cubra a chave por completo, sem deixar zonas expostas.
- Use duas a três camadas de folha, e não apenas uma película fina.
- Pressione bem as extremidades para evitar fendas.
- Teste junto do carro: ainda dá para destrancar ou ligar?
- Substitua a folha com regularidade se rasgar ou ficar muito amarrotada.
Se, mesmo estando perto, o automóvel já não destrancar, a “gaiola” está a funcionar. Se a chave continuar a actuar normalmente, existe alguma abertura - ou faltam camadas.
Alternativas à folha de alumínio: bolsas, caixas e latas
Se não lhe agrada andar com folha amarrotada no bolso, há outras opções. Existem no mercado bolsas bloqueadoras RFID (ou bloqueadoras de sinal) feitas com tecido condutor ou com várias camadas de material de blindagem.
Também há soluções simples que podem resultar:
- Recipientes metálicos ou latas (por exemplo, uma velha lata de bolachas)
- Caixas específicas para chaves com blindagem contra rádio
- Um pequeno cofre metálico para dinheiro
O ponto essencial é sempre o mesmo: o recipiente tem de ser mesmo de metal e fechar bem. O teste junto do carro continua a ser obrigatório. Em muitas casas, a rotina passa por guardar todas as chaves num local fixo dentro de uma caixa metálica.
Protecção em várias camadas: só a folha de alumínio nem sempre chega
A folha resolve sobretudo o problema do rádio. Para proteger o carro a longo prazo, faz sentido combinar várias barreiras. Quanto mais obstáculos, menos interessante o alvo se torna.
O que pode fazer adicionalmente
- Usar um bloqueador de volante: barreira visível que faz o ladrão perder tempo.
- Manter o alarme activo: muita gente desliga sistemas sonoros por conveniência.
- Estacionar com intenção: locais iluminados e com movimento em vez de ruas escuras.
- Mandar verificar o imobilizador: continua a funcionar correctamente?
- Recorrer a um localizador GPS: ajuda na localização em caso de roubo.
"Uma única chave desprotegida em casa pode anular todas as outras medidas."
Sobretudo em famílias, é importante definir regras claras: onde ficam as chaves? As chaves de reserva ou de visitas voltam logo para o sítio? Se uma ficar pendurada num cabide mesmo ao lado da porta, até a melhor protecção contra rádio perde eficácia.
Desactivar a função keyless passiva no automóvel?
Muitos veículos actuais permitem desligar, no menu, o destrancar “sem chave”. Nessa configuração, o carro só abre quando se carrega no botão da própria chave. Deixa de existir o contacto permanente por rádio.
Perde-se algum conforto, mas os ladrões ficam sem uma ferramenta importante, porque os ataques por retransmissão deixam de funcionar, ou passam a ser muito mais difíceis. Para quem raramente chega ao carro com as mãos cheias de sacos, esta opção costuma ser bastante prática.
Erros típicos ao guardar chaves de automóvel
Mesmo com folha de alumínio ou bolsa de protecção, há detalhes que muita gente desvaloriza:
- Chaves mesmo junto à porta de entrada, em cima de uma prateleira
- Chaves em ganchos ao lado de vidro na porta
- Chaves num parapeito de janela virado para a rua
- Chaves no hall, separadas do passeio por apenas uma parede fina
Com tecnologia muito sensível, até sinais fracos podem ser ampliados. Por isso, a regra é simples: guardar o mais para dentro possível da casa, idealmente longe de janelas e paredes exteriores.
Termos técnicos explicados de forma simples
Sistema keyless: tecnologia em que o carro reconhece a chave automaticamente. O condutor não precisa de inserir nem rodar nada.
Gaiola de Faraday: invólucro de material condutor que bloqueia campos electromagnéticos. Em pequena escala, aplica-se à protecção da chave; em grande escala, existe por exemplo em salas de medição.
RFID: tecnologia de rádio para identificação, baseada em princípios semelhantes aos das chaves de automóvel, usada por exemplo em cartões de acesso ou documentos.
Exemplos práticos: para quem vale especialmente a pena usar folha de alumínio
A blindagem faz mais sentido, em particular, para:
- Moradores de zonas urbanas densas com carros estacionados na rua
- Proprietários de modelos caros ou muito procurados, como SUV ou carros eléctricos
- Casas com alpendre (carport) ou lugar de estacionamento encostado à parede exterior
- Apartamentos arrendados em que o hall fica a poucos metros da rua
Por outro lado, quem tem um carro citadino antigo sem função keyless e o guarda numa garagem fechada tende a ter bem menos preocupações neste ponto. Aí, outros riscos ganham peso, como o arrombamento da própria garagem.
Porque vale a pena gastar esses poucos segundos com a folha
Uma camada de folha de alumínio não substitui um seguro contra todos os riscos nem um sistema de alarme. Ainda assim, reduz uma porta de entrada muito específica para o roubo, custa quase nada e faz-se em poucos minutos.
Quando junta uma boa forma de guardar as chaves, uma protecção mecânica visível e, se fizer sentido, a desactivação da função de conforto por rádio, o risco para os criminosos aumenta de forma clara. E é isso que, muitas vezes, os leva a escolher antes o carro seguinte - o que está menos protegido.
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