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Novo repelente contra mosquitos com bactérias geneticamente modificadas não tóxico

Mulher a aplicar repelente contra mosquitos num jardim, com duas crianças ao fundo a brincar.

O mais impressionante é que não inclui qualquer substância tóxica.

Os mosquitos - temidos transmissores de doenças como a dengue, o paludismo e o vírus Zika - representam há décadas uma ameaça séria para a saúde pública em todo o mundo. Todos os anos, este insecto está associado à morte de cerca de 1 milhão de pessoas a nível global, o que o coloca no topo da lista dos animais mais perigosos.

Apesar de estratégias de protecção convencionais, como o uso de DEET (N,N-dietil-3-metilbenzamida, um repelente utilizado desde a década de 1950), terem demonstrado alguma eficácia, existem desvantagens relevantes, sobretudo ligadas à toxicidade.

Ainda assim, uma equipa de investigadores desenvolveu um repelente inovador que tira partido das bactérias naturalmente presentes na epiderme humana para oferecer uma defesa mais duradoura contra as picadas. As conclusões deste trabalho foram publicadas na revista PNAS Nexus.

Repelente com bactérias geneticamente modificadas: princípio e aplicação

Esta proposta nasce de um entendimento aprofundado sobre aquilo que atrai as fêmeas dos mosquitos. Elas respondem de forma particularmente marcada a diferentes estímulos, incluindo o calor do corpo, o dióxido de carbono expirado e os odores libertados pelo microbioma cutâneo humano.

Ácido láctico: um aliado inesperado contra os mosquitos

Entre as moléculas associadas ao odor, o ácido L-(t)-láctico revelou-se um forte factor de atracção. No entanto, os cientistas observaram que, ao alterar as bactérias responsáveis pela produção desse ácido, seria possível reduzir de modo significativo o interesse dos mosquitos.

Eficácia observada e duração da protecção

Quando estas bactérias geneticamente modificadas foram aplicadas na pele, os resultados foram particularmente expressivos. Ao fim de apenas três dias, os investigadores mediram uma redução de 64,4 % na atracção dos mosquitos. Mais surpreendente ainda, esta protecção pode manter-se até 11 dias, superando claramente o tempo de actuação típico dos repelentes tradicionais.

Uma alternativa não tóxica aos repelentes tradicionais

Um dos pontos que mais distingue este avanço é a sua aparente segurança. Ao contrário do DEET - cujo uso levanta preocupações sobre possíveis impactos negativos na fauna e nas pessoas - os microrganismos geneticamente modificados utilizados neste novo repelente não apresentaram, até ao momento, qualquer risco sanitário conhecido.

Este aspecto torna-se especialmente relevante em zonas onde a aplicação intensiva de químicos provoca efeitos prejudiciais na biodiversidade local.

Os investigadores responsáveis por esta descoberta esperam, por isso, que o resultado ajude a alargar a adopção de soluções biotecnológicas no controlo de pragas. No contexto da gestão de insectos que transmitem doenças, isso poderá representar uma verdadeira mudança de paradigma.

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