Se a plantou para embelezar o jardim, saiba que isso pode configurar um crime punível com três anos de prisão. A berce de Sosnowski, apelativa pela sua imponência e pelo seu ar decorativo, está na lista negra da União Europeia e é totalmente proibida em França. À primeira vista, parece ter tudo para agradar - mas, na prática, pode trazer-lhe problemas graves, tanto do ponto de vista penal como do ponto de vista da saúde.
Conhecida como berce de Sosnowski (Heracleum sosnowskyi), foi descrita pela primeira vez durante a Segunda Guerra Mundial, em 1944, pela botânica soviética Ida Panovna Mandenova, após a ter encontrado nas montanhas do Cáucaso, na Geórgia. O nome foi-lhe dado em homenagem ao orientador da investigadora, Dmitri Sosnowsky. Trata-se de uma herbácea perene, uma umbelífera gigante da família Apiaceae; lembra vagamente a cenoura-brava, mas em tamanho XXL.
Aspeto, dimensões e “sucesso” ornamental
A planta pode atingir entre três e cinco metros de altura. O caule, longo e rígido, apresenta manchas púrpura e pode chegar a 10 cm de diâmetro. No topo, abre grandes umbelas brancas e exibe folhas recortadas que podem ter um metro de comprimento. É um perfil impossível de ignorar - vistoso, elegante e muito marcante - o que explica o entusiasmo de muitos aficionados pela jardinagem, atraídos pelo seu potencial decorativo.
Interdição em França e sanções previstas
Apesar do seu aspeto, em França as regras são claras. Como recorda o Le Figaro, “simplesmente não se pode detê-la, plantá-la, cultivá-la, vendê-la, nem introduzi-la voluntariamente num meio natural”. A berce de Sosnowski consta do decreto de 14 de fevereiro de 2018, concebido para travar a entrada e a expansão de plantas invasoras, integrando uma lista de 14 espécies proibidas no anexo I-1 relativo a “plantas vasculares”.
Em caso de infração, a lei francesa prevê uma pena pesada: três anos de prisão e 150 000 euros de multa - uma resposta penal dura para quem, em teoria, só queria dar um toque exótico ao fundo do quintal. Para uma planta ornamental, a punição parece desproporcionada, mas a história explica por que motivo a severidade existe.
Berce de Sosnowski: uma planta tóxica nascida de um erro de Estado
Originária da Ásia e do Cáucaso, a berce de Sosnowski foi surgindo gradualmente em jardins e em espaços naturais, do século XIX até meados do século XX. No entanto, a verdadeira aceleração da sua expansão começa com uma decisão tomada em Moscovo, em 1947. A URSS saía devastada da guerra: milhões de mortos, grandes cidades arrasadas, efetivos pecuários dizimados e, para os animais sobreviventes, escassez de alimento. Os kolkhozes (as cooperativas agrícolas soviéticas) procuravam então uma forrageira barata, muito produtiva e capaz de crescer em solos pobres, para substituir a cevada, a aveia e o centeio, que faltavam após os combates.
A escolha recaiu sobre H. sosnowskyi. Na altura, ainda não era uma cultura estabelecida, mas parecia uma solução ideal para a crise alimentar: era muito resistente, crescia praticamente em qualquer terreno, tolerava bem as geadas, desenvolvia-se depressa e apresentava um rendimento proteico comparável ao do milho para silagem ou da luzerna. À superfície, parecia a candidata perfeita para alimentar vacas leiteiras, porcos e ovelhas e reanimar a economia agrícola.
A partir de 1947, é introduzida na Rússia central e do norte, começando por experiências no Jardim Botânico Polar-Alpino de Kirovsk, e passa a ser promovida em grande escala já em 1948. Durante as décadas de 1950 e 1960, espalha-se por terras agrícolas da Rússia europeia, da Ucrânia, da Bielorrússia e dos países bálticos. Chegam mesmo a ser selecionados dois cultivares - “Uspekh” e “Severzhanin” - com o objetivo de maximizar o rendimento.
Furocumarinas: quando a “solução” se transforma em problema
O plano saiu pela culatra. Os animais alimentados com a planta sofreram queimaduras cutâneas severas ao contacto com a seiva, e o leite tornou-se intragável. O sabor extremamente amargo vinha, na realidade, da contaminação por compostos tóxicos da berce, as furocumarinas, que não só alteravam o gosto como também prejudicavam seriamente a fertilidade dos animais e a saúde das crias.
Os mesmos compostos são temíveis para a pele humana - com um detalhe que aumenta o risco: a planta não parece perigosa. A seiva é transparente e, ao toque, não provoca dor nem reação imediata. O problema surge apenas depois de exposição aos raios UV do Sol, por vezes horas mais tarde, quando a inflamação começa. Podem formar-se bolhas do tamanho de uma batata na zona afetada, além de manchas que podem persistir durante vários anos. Se houver contacto com os olhos, as consequências podem ser dramáticas, chegando, no pior cenário, à cegueira total.
Mesmo após o regime soviético ter abandonado a cultura, o estrago já estava feito. No final dos anos 1980, aproveitando a desorganização associada ao colapso do bloco soviético, a espécie escapou das parcelas e avançou por terrenos incultos, taludes, orlas de matas e margens de linhas de água. Desde então, a Europa de Leste ficou amplamente invadida e, nos países do antigo bloco soviético, a planta ganhou um apelido sombrio: “a vingança de Estaline” (“Zemsta Stalina”).
É por isso que integra a lista de espécies exóticas invasoras preocupantes para a União Europeia, elaborada ao abrigo do Regulamento n.º 1143/2014, e também a lista do decreto francês de 2018. E não é caso único: duas espécies aparentadas - Heracleum mantegazzianum (berce do Cáucaso) e Heracleum persicum (berce da Pérsia) - estão sujeitas às mesmas proibições. Três espécies do mesmo género, trazidas para a Europa como ornamentais, todas tornadas incontroláveis devido a uma capacidade de reprodução fora do comum.
O que fazer se tiver uma berce de Sosnowski no jardim?
Confirmar a identificação (e evitar confusões)
Antes de agir, confirme que é mesmo berce de Sosnowski, porque é fácil confundi-la com outras espécies, como a berce-comum (Heracleum sphondylium) ou a angélica-brava (Angelica sylvestris). Se não tiver segurança em botânica, pode recorrer à tecnologia: modelos de IA como Gemini, Claude ou ChatGPT podem ajudar na identificação se lhes enviar fotografias.
Ainda assim, podem enganar-se e é preferível validar por várias vias. A aplicação PlantNet, gratuita no Google Play Store e na App Store, tende a ser mais fiável do que modelos de IA generalistas para analisar pormenores de uma umbela ou de um caule e pode ajudar a esclarecer a dúvida.
Remoção com segurança: o que fazer (e o que evitar)
Se, infelizmente, se confirmar que é berce de Sosnowski, não a toque e não tente “resolver” com um simples podão como faria com urtigas. Se decidir intervir por conta própria, proteja-se: fato impermeável integral, óculos de proteção fechados e luvas grossas são obrigatórios.
Para eliminar a planta, privilegie o arranque ou o corte abaixo do colo, a 20–25 cm de profundidade, idealmente no final de abril ou no início de maio, quando ainda é jovem e pouco enraizada. Faça-o, de preferência, em tempo nublado e evite a todo o custo a roçadora, que espalha gotículas de seiva por todo o lado. Se já existirem umbelas, devem seguir em saco fechado para incineração, sem exceção. E não conte com uma única intervenção: sementes enterradas no solo podem germinar durante quase dez anos.
Apoio das autoridades e equipas especializadas
Por isso, faz sentido contactar a câmara municipal para beneficiar de uma erradicação feita em segurança. Algumas autarquias organizam intervenções gratuitas em parceria com redes especializadas como a FREDON (Federação Regional de Defesa contra Organismos Nocivos). Há campanhas de erradicação regulares, permitindo que equipas especializadas se desloquem à sua propriedade se a presença da planta tiver sido sinalizada.
Infelizmente, isto não existe em todos os departamentos; nesse caso, será necessário contratar uma empresa especializada na eliminação de espécies invasoras. Para verificar se pode aceder a este tipo de apoio público, consulte o site da FREDON France ou o portal do Ofício Francês da Biodiversidade, para contactar agentes do ambiente ou encontrar estruturas locais de apoio. Mais vale um telefonema para a autarquia do que uma ida ao dermatologista, ou pior, ao tribunal.
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