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Carraças no jardim: plantas que as favorecem e como as afastar

Pessoa a olhar plantas com lupa enquanto outra cuida do jardim com cão sentado na relva ao fundo.

Muitos jardineiros amadores adoram ver o jardim cheio de verde, com recantos sombrios e zonas mais “selvagens” na relva. Mas é precisamente aí que pode estar um coabitante perigoso: a carraça. Certas plantas e estruturas tornam o jardim especialmente convidativo para estes aracnídeos se fixarem e esperarem pelo próximo hospedeiro - seja uma pessoa, uma criança ou um animal de estimação.

Porque é que algumas plantas parecem atrair carraças

As carraças não saltam das árvores nem voam. Ficam à espera perto do solo ou até, no máximo, à altura do joelho, pousadas em folhas, ramos e hastes de relva. Para elas, contam sobretudo três factores: humidade, sombra e vegetação densa. E é exactamente isso que muitas plantas populares no jardim oferecem.

"As carraças adoram recantos densos, húmidos e sombrios - tudo o que não seja bem ventilado torna-se rapidamente um ponto quente de carraças."

No jardim, as zonas mais típicas de risco incluem:

  • relva alta, por cortar, junto a limites e vedações
  • sebes e arbustos muito compactos
  • cantos ao abandono com silvas e montes de ramos
  • círculos/áreas sob árvores de fruto com muita folha caída e humidade
  • pilhas de lenha, paletes antigas e zonas de arrecadação à sombra

Plantas e estruturas que favorecem carraças no jardim

Não é que as plantas “chamem” carraças como um íman. O que acontece é que criam um habitat perfeito: fresco, sombreado e ligeiramente húmido. Se a isto se juntarem aves, roedores, ouriços ou animais domésticos que servem de hospedeiros, forma-se o cenário ideal para um foco de carraças.

Fetos, ervas espontâneas e plantas perenes altas

O feto é ornamental, gosta de meia-sombra e cresce de forma densa. Nesses locais, a humidade mantém-se por muito mais tempo, sobretudo depois de chuva ou de regas generosas. Algo semelhante acontece com ervas espontâneas altas e “ilhas” de relva que não são aparadas.

  • folhas densas e frondes protegem as carraças do sol e da desidratação
  • hastes compridas funcionam como excelentes “postos de espera” para encontrar um hospedeiro
  • por baixo de fetos e ervas acumulam-se com facilidade folhas e restos vegetais

Quando estas zonas ficam encostadas ao terraço, ao espaço de brincadeira ou a um banco, a área de carraças acaba, na prática, por avançar até à porta de casa.

Arbustos compactos, sebes e silvas

Arbustos muito ramificados também são propícios para carraças. É o caso de arbustos ornamentais de folhagem escura, sebes densas e maciços de silvas. Perto do chão, estas plantas tendem a criar um ambiente húmido, escuro e pouco ventilado.

Costumam ser especialmente problemáticos:

  • sebes sem manutenção, com muitos rebentos junto ao solo
  • sebes de silvas espontâneas, com crescimento compacto e quase impenetrável
  • arbustos colados a zonas de relva onde as crianças brincam

Nesses locais, pequenos mamíferos como ratos e ouriços circulam com frequência - e vão “trazendo” carraças, que depois se desprendem.

Coníferas, árvores de fruto e camadas de folhas

Coníferas como abetos, pinheiros ou outras árvores de agulhas formam, na base, uma zona escura e difícil de arejar. As agulhas e ramos que caem vão criando uma camada compacta que retém humidade. As árvores de fruto, por seu lado, acrescentam sombra e, com os frutos, atraem animais selvagens que podem servir de hospedeiros.

Estrutura Porque é que as carraças gostam
Sebe de coníferas ramos densos, pouca circulação de ar, solo húmido
Árvore de fruto com “tapete” de folhas sombra, fruta caída e folhas atraem pequenos animais
Monte de folhas mantém-se húmido durante muito tempo, muitos esconderijos para carraças
Pilha de lenha fendas, sombra e trilhos de ratos - refúgio ideal

Que plantas podem ajudar a afastar carraças

Felizmente, existem plantas cujos óleos essenciais intensos tendem a repelir carraças. Não funcionam como uma barreira invisível, mas podem reduzir de forma clara a atractividade de certas áreas.

Ervas aromáticas como barreira natural

Várias ervas culinárias conhecidas criam, através do seu aroma, um ambiente desagradável para as carraças:

  • Alecrim - ótimo ao longo de caminhos e junto a terraços
  • Lavanda - apreciada por abelhas, pouco atractiva para carraças
  • Erva-cidreira - liberta um perfume intenso e fresco
  • Tomilho - útil como cobertura do solo entre lajes/pedras de passagem
  • Absinto - cheiro amargo que muitos insectos evitam
  • Gerânios-limão - comuns em vasos na varanda e no terraço

"Quem usa ervas aromáticas como plantação de bordadura cria um “cinturão de aroma” que dificulta às carraças a entrada no coração do jardim."

Faz particular sentido colocar estas plantas ao longo de zonas de estar, áreas de brincadeira e passagens muito usadas. Assim, cria-se uma faixa de protecção entre biótopos favoráveis a carraças e as zonas onde as pessoas permanecem.

Como tornar o jardim, no geral, hostil às carraças

Só plantar algumas ervas aromáticas não chega. O mais importante é tornar o jardim, como um todo, pouco interessante para as carraças. Isso consegue-se com medidas simples, mas aplicadas com consistência.

Manutenção que lhes retira habitat

  • cortar a relva com regularidade, sobretudo nas bordas e junto a sebes
  • remover folhas no outono e na primavera, em vez de as deixar acumular em camadas espessas
  • desbastar arbustos e sebes para deixar entrar ar e sol até ao solo
  • não guardar pilhas de lenha mesmo ao lado do terraço ou da zona de brincadeiras
  • tornar mais secas as zonas encharcadas com caminhos de brita ou drenagens

Quanto mais sol chega ao chão e mais depressa a humidade seca, menor é a probabilidade de as carraças conseguirem sobreviver a longo prazo.

Protecção para pessoas e animais de estimação

Nenhum jardim fica totalmente livre de carraças. O que pesa é a forma como se usa o espaço, sobretudo nas áreas de risco.

  • ao trabalhar no jardim em vegetação alta, usar roupa comprida e clara
  • enfiar as pernas das calças dentro das meias ou das botas
  • procurar cuidadosamente carraças na pele depois de estar no exterior
  • aplicar repelentes adequados na pele quando se toca muito em vegetação
  • inspeccionar cães e gatos após cada volta pelo jardim

Quando se detectam e removem carraças cedo, o risco de infecções diminui de forma significativa. Quem passa muito tempo em ervas altas ou debaixo de arbustos pode ainda enrolar, de forma solta, fita-cola larga à volta dos tornozelos. As carraças ficam presas antes de conseguirem subir.

O que torna as carraças tão perigosas - e como as remover correctamente

As carraças são muito pequenas e, no início, muitas vezes mal maiores do que uma semente de maçã. Podem parecer inofensivas, mas conseguem transmitir agentes patogénicos, como borrelias, responsáveis pela borreliose de Lyme.

Depois de uma picada, deve:

  • retirar a carraça o mais depressa possível com uma pinça para carraças ou um cartão removedor de carraças
  • não esmagar e não aplicar óleo nem cola
  • vigiar a zona da picada durante algumas semanas
  • procurar aconselhamento médico em caso de vermelhidão, sintomas tipo gripe ou eritema migratório

Em muitas farmácias encontram-se ferramentas simples para remover carraças - algo que vale a pena ter em qualquer casota de ferramentas. Quem trabalha com regularidade “no verde” faz bem em manter um conjunto em casa e outro no jardim.

Como combinar, de forma inteligente, plantas de risco e plantas de protecção

Se não quiser abdicar de fetos, silvas ou sebes densas, pode optar por colocá-los de forma estratégica. As áreas mais favoráveis a carraças devem ficar na periferia do terreno, o mais longe possível de zonas de estar, da caixa de areia e da casota do cão. À frente, pode instalar uma faixa com lavanda, alecrim e outras ervas de aroma forte.

Desta forma, o jardim passa a ter zonas bem definidas: uma parte mais selvagem e natural para insectos e aves - e uma área cuidada, onde as crianças brincam e os adultos podem estar descalços na relva sem pensar em carraças a cada passo.

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