Quem sai de manhã para o terraço e, de repente, encontra vários pequenos montes de terra numa zona que estava impecável conhece bem a sensação de aperto no estômago. A primeira reacção costuma ser irritação; a segunda, dúvida: como afastar toupeiras sem lhes fazer mal - e sem transformar o jardim numa obra?
Alerta de toupeiras no jardim: problema ou ajudante silencioso?
Em muitos jardins, a presença de toupeiras gera discussões acesas. Há quem as veja como um “inimigo” que estraga o relvado. Outros lembram a importância destas espécies no ecossistema: alimentam-se de larvas de escaravelho, larvas de lesma e outros organismos do solo que podem prejudicar as plantas. Como quase sempre, a realidade fica algures no meio.
“As toupeiras soltam a terra e comem pragas - só os montes é que incomodam. O objectivo, por isso, é afastar em vez de eliminar.”
Do ponto de vista legal, na Alemanha a toupeira é uma espécie protegida. É proibido matar. Também não pode ser capturada nem ferida. Quem recorre à pá ou a armadilhas agressivas arrisca uma coima. Isto torna ainda mais procuradas as abordagens que apenas a levem a mudar de sítio - idealmente para mais longe, para outro jardim, ou para uma zona do terreno onde não cause incómodo.
Compreender as toupeiras: porque é que escolhem precisamente o seu relvado
Antes de avançar para medidas concretas, vale a pena perceber, em poucas linhas, como vivem estes animais. As toupeiras são solitárias. Constroem redes extensas de túneis, percorrem-nas à procura de alimento e mantêm algumas galerias em uso permanente.
- Montes no relvado surgem quando abrem novos túneis e empurram para cima a terra excedente.
- Zonas moles e que cedem costumam indicar túneis antigos ou sistemas de galerias maiores.
- Locais preferidos são solos soltos e húmidos, ricos em larvas de insectos - ou seja, muitas vezes relvados bem tratados e canteiros.
A boa notícia: as toupeiras não ficam num mesmo sítio para sempre. Quando o local deixa de ser favorável ou quando se sentem perturbadas, tendem a deslocar-se. É exactamente aqui que entram os truques de dissuasão mais suaves.
1. Cheiros fortes: afastar a toupeira com pêlos de cão e alho
As toupeiras têm fraca visão, mas um olfacto muito apurado. No escuro, orientam-se quase totalmente pelo cheiro. Esse ponto pode ser usado para as incentivar a abandonar a zona.
Colocar pêlos de cão nos montes
Muitos proprietários de jardins confiam nos pêlos de cão. A ideia é que o cheiro indique a presença de um potencial predador e deixe o animal mais inquieto no subsolo.
- Junte pêlos acabados de escovar.
- Abra com cuidado os montes de toupeira, sem esmagar tudo ao redor.
- Introduza uma pequena mão-cheia de pêlos o mais fundo possível na abertura.
- Cubra novamente com terra solta, sem calcar.
Os pêlos ficam no túnel e o odor espalha-se durante vários dias. Há quem repita o processo ao fim de uma a duas semanas, até a actividade diminuir.
Alho e borras de café como “cocktail” de aromas
Um método semelhante recorre a alho e borras de café. Aromas intensos de cozinha interferem com o olfacto sensível destes animais.
- Esmague ligeiramente os dentes de alho com uma faca para libertarem mais cheiro.
- Opcional: misture borras de café secas.
- Coloque a mistura nos montes abertos.
- Tape de leve com terra.
Como sempre, o resultado varia consoante o solo, o tempo e a sensibilidade de cada animal. Quem insistir e tratar vários montes aumenta a probabilidade de a toupeira desistir do território.
2. Plantas como barreira natural: o que as toupeiras evitam
Quem quer proteger o jardim a longo prazo pode evitar recorrer a “plantas de afugentar” usadas de forma indiscriminada e, em vez disso, optar por espécies já testadas que as toupeiras tendem a não apreciar. Criam uma barreira olfactiva sem perturbar em excesso o restante equilíbrio do jardim.
Linha de protecção florida à volta do relvado e dos canteiros
Ao longo da borda do relvado ou em redor da horta, é possível plantar bolbos e herbáceas cujo aroma torna a área menos atractiva para as toupeiras:
- coroa-imperial (Fritillaria imperialis)
- narcisos
- jacintos
- alho (de consumo e ornamental) e cebolas
O efeito é duplo: além de ornamentais, podem ajudar a manter as toupeiras afastadas de zonas sensíveis. Para uma barreira mais “fechada”, os bolbos devem ser plantados com pouca distância entre si.
Usar eufórbia e sabugueiro de forma direccionada
Outra hipótese é a chamada “planta das toupeiras”, a eufórbia-de-jardim (Euphorbia lathyris). O odor libertado no solo é desagradável para muitas toupeiras. É uma solução útil em limites do terreno ou em cantos onde algumas plantas não estorvem.
Também o sabugueiro pode ser aproveitado:
- Espete ramos frescos de sabugueiro junto de montes activos.
- Faça uma calda (macerado) com folhas de sabugueiro e água e deite-a nas galerias.
Vários jardineiros dizem que, após algumas aplicações, os animais acabam por recuar. Ainda assim, é importante não aplicar directamente em canteiros de hortícolas, trabalhando antes nas zonas periféricas.
Aviso sobre produtos tóxicos em jardins familiares
Algumas pessoas usam no jardim o chamado “bolo de rícino”, um adubo orgânico cujo cheiro as toupeiras evitam. O problema é que a planta é altamente tóxica e resíduos no solo podem representar risco para cães, gatos ou crianças pequenas. Em jardins onde brincam crianças ou circulam animais de companhia, o mais prudente é não utilizar este tipo de substâncias.
3. Vibrações e ultrassons: ruído no solo em vez de violência
As toupeiras são muito sensíveis a vibrações. Por isso, até correr e bater no relvado pode funcionar como dissuasão por pouco tempo. Para um efeito mais contínuo, muitas pessoas recorrem a soluções técnicas.
Dispositivos solares com ultrassons na prática
Existem à venda estacas para colocar no solo. Em intervalos regulares, emitem vibrações ou sinais de ultrassons que pretendem desorientar o animal.
| Vantagens | Desvantagens |
|---|---|
| sem químicos, sem contacto directo com o animal | resultados muito variáveis, sem garantia |
| muitos modelos funcionam a energia solar | pode também incomodar outros animais |
| fácil instalação, reutilizável | em solos argilosos pesados tende a ser menos eficaz |
Alguns proprietários relatam áreas totalmente livres de toupeiras ao fim de poucas semanas; outros não notam diferença. Quem quiser experimentar deve colocar vários aparelhos, espaçados por alguns metros, para que as ondas cubram toda a zona.
Truque simples com garrafas e estacas
Para quem prefere não gastar dinheiro, dá para improvisar. Um clássico é usar estacas com garrafas:
- Bata várias estacas de madeira ou metal no solo.
- Coloque garrafas vazias de vidro ou plástico por cima, sem fixar.
- Com o vento, geram-se vibrações e ruídos transmitidos pela terra.
O princípio lembra o dos aparelhos de ultrassons, mas de forma mais rudimentar. Em locais muito abrigados, com pouco vento, quase não se nota efeito; em áreas expostas, esta solução pode levar as toupeiras a mudar de zona.
Quanto tempo ficam as toupeiras - e quando faz sentido cada método?
Afastar toupeiras não acontece de um dia para o outro. Quem quer dissuadir de forma suave precisa de paciência e de alguma estratégia. Normalmente, compensa combinar várias abordagens:
- Cheiros (pêlos, alho) aplicados directamente em montes recentes.
- Barreiras vegetais nas margens do relvado e à volta dos canteiros.
- Fontes de vibração nas zonas do relvado mais utilizadas.
Em muitos casos, ao fim de algumas semanas, os animais mudam-se para uma parte mais calma do terreno ou seguem para o jardim vizinho. Na primavera e no outono, quando a actividade costuma ser maior, é habitual ser necessário insistir mais.
Porque é que as armadilhas, apesar do cansaço, não deviam ser opção
Quando, após meses, continuam a surgir montes, a pergunta aparece rapidamente: armadilha, sim ou não? Na Internet há inúmeros relatos de experiências em que, no fim, se acabou por usar uma armadilha - muitas vezes com sentimento de culpa.
“Em vez de recorrer a medidas drásticas, vale a pena lembrar a utilidade destes animais: controlam larvas e ajudam a manter o solo fofo.”
Quem tolera as toupeiras pode ganhar, com o tempo, um solo mais saudável. Em áreas periféricas do jardim, debaixo de sebes ou em cantos mais densos, os montes raramente incomodam. Se a ideia for “empurrar” os animais para essas zonas, aplique cheiros e ruído de forma direccionada junto das áreas sensíveis, para lhes transmitir: aqui é desagradável, lá atrás é mais tranquilo.
Dicas práticas para o dia-a-dia no jardim
Para que o relvado não fique com aspecto arruinado, pode nivelar os montes com cuidado e aproveitar a terra solta nos canteiros. É excelente para encher vasos ou para cobrir áreas acabadas de semear.
Outro ponto que muita gente desvaloriza: repelentes químicos para toupeiras e produtos de cheiro muito intenso vendidos em lojas de bricolage e jardim podem afectar a vida do solo, os animais de companhia e até as crianças. Soluções naturais com plantas, pêlos e ruídos não só são, em regra, menos problemáticas do ponto de vista legal, como também tendem a ser mais toleráveis para o resto do jardim.
Se o problema se repete durante vários anos, compensa observar melhor o solo. Terras muito compactas e encharcadas atraem certas larvas - e, por consequência, também toupeiras. Melhorar o solo com areia e composto, arejar o relvado em profundidade e adubar com moderação pode, a longo prazo, tornar o jardim menos convidativo para estes animais.
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