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Chapins contra a vespa invasora: março para salvar as abelhas

Pássaro pousado numa colmeia amarela rodeado por abelhas e luvas apícolas ao lado de jarra de vidro.

Há já alguns anos que muitos jardins passaram a ter o mesmo motivo de preocupação: a vespa invasora trazida da Ásia, que aumenta a pressão sobre as abelhas-melíferas e outros polinizadores. Armadilhas, venenos e intervenções apressadas em escadas tendem a resultar pouco e podem ser perigosas. Entretanto, um pequeno pássaro ganhou destaque entre biólogos e jardineiros amadores: o chapim. Ao oferecer-lhe abrigo logo no início do ano, acaba também por reforçar a proteção das suas abelhas.

Porque é que março é decisivo no combate à vespa invasora

O ponto crítico chega quando o jardim começa a despertar do inverno. A partir do fim de fevereiro e início de março, as rainhas da vespa invasora saem dos seus esconderijos e procuram depressa um local para o primeiro ninho, ainda reduzido - num anexo, no sótão, no alto das árvores ou até em sebes.

Se a rainha não for perturbada, a colónia cresce a um ritmo muito rápido. Um ninho inicial, com apenas algumas dezenas de operárias, transforma-se no verão num enxame grande, capaz de consumir vários quilos de insetos por ano - incluindo muitas abelhas-melíferas, abelhas selvagens e outros polinizadores. Quem só reage em pleno verão, regra geral, chega tarde: os ninhos ficam altos, tornam-se difíceis de alcançar e qualquer intervenção pode ser arriscada.

"A melhor altura para fazer algo contra a vespa invasora não é em julho, em cima de uma escada - é em março, a partir do chão."

Os investigadores convergem num ponto: erradicar por completo este inseto introduzido é pouco realista. A taxa de reprodução é elevada e a área já ocupada é demasiado extensa. Predadores ocasionais, como o abelharuco ou certas aves de rapina, capturam vespas de vez em quando, mas não numa escala que reduza de forma notória a população.

É aqui que entram os chapins. Não são predadores especializados de vespas, mas vivem nos nossos jardins, têm uma enorme necessidade de alimento à base de insetos e, com as condições adequadas, aparecem em bom número.

Chapins como aliados naturais no jardim

Chapim-azul, chapim-real ou chapim-de-poupa - estes acrobatas coloridos dos comedouros estão entre as aves mais comuns nos jardins. Na primavera, quando as crias estão no ninho, atingem o pico de atividade: uma única família de chapins pode levar centenas de porções de alimento por dia.

Entre o que transportam no bico encontra-se sobretudo:

  • Lagartas e larvas de vários tipos
  • Pequenos escaravelhos e moscas
  • Aranhas e outros pequenos animais
  • quando existem: larvas da vespa invasora

Se houver um ninho de vespa nas proximidades, os chapins também podem recorrer às larvas desse ninho. Desta forma, sem grande alarido, diminuem o número de futuras rainhas que se desenvolvem no fim do verão. E quanto menos rainhas sobreviverem, menos ninhos novos existirão no ano seguinte.

O chapim-real, em particular, revela um comportamento interessante: gosta de nidificar perto de locais que são ou foram usados por vespas. Em ninhos abandonados - por exemplo, no início do inverno - bica insetos mortos e larvas. Com isso, não só remove “restos”, como também reduz o reservatório de reprodução que ainda possa permanecer.

"Os chapins não resolvem o problema das vespas, mas exercem uma pressão constante e natural sobre a população - mesmo à porta de casa."

Os biólogos sublinham que nenhuma ave, nenhuma vespa parasitoide e nenhuma planta carnívora irá, por si só, controlar a vespa invasora. O valor dos chapins está no efeito acumulado: muitos jardins, muitos casais a nidificar, e um número enorme de larvas e insetos consumidos.

Como tornar o jardim amigo dos chapins - e ajudar as abelhas ao mesmo tempo

Para que os chapins possam cumprir este papel de aliados, precisam sobretudo de duas coisas: espaço para nidificar e alimento suficiente. E o que conta é que tudo esteja disponível já em março.

A caixa-ninho certa, no momento certo

As cavidades naturais nas árvores são cada vez mais raras, sobretudo em jardins e parques muito “arrumados”. As caixas-ninho compensam essa falta. Para facilitar a instalação dos chapins, vale a pena seguir algumas regras básicas:

  • Material: madeira, sem tratamentos ou, no máximo, com uma velatura ecológica apenas no exterior
  • Orifício de entrada: cerca de 2,5 a 3 centímetros de diâmetro para chapins
  • Altura: 2 a 5 metros do chão, fora do alcance de gatos
  • Orientação: idealmente afastada do lado mais exposto ao mau tempo, ligeiramente virada a leste ou sudeste
  • Prazo: montar o mais tardar até meados de março, de preferência antes

Pendurar várias caixas aumenta a probabilidade de um ou dois casais se fixarem. Entre caixas, convém deixar alguns metros de distância, para evitar conflitos entre aves.

Estratégia de alimentação: ajudar a tempo, parar a tempo

No fim do inverno, alimentar as aves é útil para as atrair ao jardim e para as apoiar durante períodos frios. Exemplos adequados incluem:

  • Sementes de girassol
  • Frutos secos sem sal
  • Bolas de gordura vegetal sem rede de plástico

Atenção: no fim de março, a suplementação deve diminuir gradualmente. Nessa fase, já há mais insetos em circulação e os chapins mudam para uma dieta mais rica em proteína - precisamente larvas e insetos, os mesmos recursos que a vespa invasora usa para alimentar a sua criação.

Plantas, água e menos químicos

Um jardim favorável aos chapins pode parecer simples à primeira vista, mas compensa de várias maneiras:

  • Arbustos autóctones: por exemplo, sabugueiro, pilriteiro ou aveleira oferecem abrigo, bagas e muitos insetos.
  • Zonas “selvagens”: um monte de ramos, alguma erva mais alta ou folhas deixadas no chão - locais ideais para caça e nidificação.
  • Ponto de água: uma taça pouco funda ou um pequeno tanque, limpos com regularidade e reabastecidos.
  • Sem pesticidas: os venenos eliminam insetos e prejudicam diretamente os chapins, além de afetarem abelhas e outros polinizadores.

"Quem pulveriza veneno retira, ao mesmo tempo, a base de vida dos chapins e das abelhas - e facilita a vida à vespa invasora."

Ninhos de vespas devem ser sempre comunicados a profissionais

Por muito úteis que sejam, os chapins não substituem uma intervenção dirigida. Se encontrar um ninho, não deve removê-lo por conta própria. Estes insetos defendem a colónia e uma picada pode ser fatal para pessoas sensíveis.

Uma divisão de tarefas sensata no jardim é a seguinte:

  • Os chapins alimentam-se de larvas e de insetos mortos, reduzindo indiretamente a descendência.
  • As pessoas comunicam ninhos visíveis a técnicos especializados, que os removem com segurança.
  • Jardineiros criam estruturas que beneficiam várias espécies - aves, abelhas e outros polinizadores.

O que os apicultores podem fazer, na prática

Para apicultores, a vespa invasora já faz parte do dia a dia. Aqui, os chapins podem trazer uma vantagem extra, porque costumam estar muito ativos à volta do apiário. Medidas úteis incluem:

  • Colocar caixas-ninho com vista para as colmeias, tendo em conta o risco de gatos e de martas.
  • Manter sebes e arbustos em redor do apiário, em vez de deixar tudo demasiado curto.
  • Evitar produtos químicos no entorno imediato das colmeias.

Além disso, os chapins ajudam a controlar outros inimigos das abelhas, como certas lagartas que danificam flores. Assim, fortalecem o ecossistema de que as colónias dependem.

Contexto: porque é que a vespa invasora tem tanto sucesso

A vespa introduzida é originária da Ásia e, no seu habitat, integra o equilíbrio natural. Na Europa Central, esse controlo praticamente não existe. Encontra alimento abundante, invernos amenos e muitos locais para nidificar - desde sótãos até ao topo de choupos altos.

Uma única colónia pode capturar vários quilos de insetos por ano. Uma parte são pragas, mas uma grande parte inclui também espécies úteis. As abelhas-melíferas, em particular, tornam-se alvo: a vespa fica à espreita junto às entradas e apanha as obreiras que regressam. Em colónias já enfraquecidas, este stress contínuo pode tornar-se um problema.

Até agora, na Europa, quase não surgiram inimigos naturais realmente especializados. As aves comem indivíduos isolados ocasionalmente, mas o risco de picadas e a presença de ninhos grandes leva-as a evitá-los. Os chapins não atuam sobretudo sobre as operárias adultas: pressionam o ciclo pelo lado da criação no ninho - uma alavanca diferente, que pode ser combinada com medidas humanas.

Mais vida no jardim, menos veneno e betão

Apoiar chapins não serve apenas para proteger abelhas. O jardim torna-se globalmente mais vivo: mais aves, mais insetos, mais flores. As crianças podem observar como os progenitores levam alimento sem descanso, como as crias aprendem a voar e como, no outono, os arbustos com bagas atraem aves.

Com esta “aliança” entre pessoas e aves, vários problemas de jardim tendem a ficar mais controlados:

  • O ataque de lagartas em árvores de fruto diminui.
  • As colónias de pulgões tendem a manter-se mais contidas.
  • A vespa invasora sente pressão adicional sobre a sua criação.

Em vez de multiplicar armadilhas e venenos, vale a pena olhar para cima: nos ramos pode já estar o melhor aliado que quem protege abelhas poderia desejar - o chapim, à espera de algumas caixas-ninho e de um jardim sem pesticidas.


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