Pensar em custos de energia elevados leva quase sempre à ideia do aquecimento. No entanto, basta olhar para a cozinha para encontrar um equipamento que funciona sem parar, dia e noite, e que, ano após ano, vai consumindo o orçamento familiar de forma discreta. Muitos lares desvalorizam este “trabalhador” permanente - e acabam por pagar mais todos os meses.
Eletricidade em casa: onde o dinheiro realmente desaparece
Num agregado típico, a eletricidade é usada em várias frentes: iluminação, cozinhar, lavar roupa, entretenimento e aquecimento de água. A fatura total sobe depressa para valores de quatro dígitos e, em casas semelhantes, gastar bem mais de mil euros por ano não é raro.
O aquecimento continua, de longe, a maior fatia do consumo energético, seguido da água quente e da confeção de alimentos. Ainda assim, quem olha apenas para o aquecimento ignora um ponto decisivo: os consumidores silenciosos entre os eletrodomésticos.
"Quem conhece os seus equipamentos mais caros por estarem sempre ligados pode poupar dinheiro de forma duradoura com pequenas mudanças - muitas vezes sem perder conforto."
Estudos sobre lares típicos indicam que cerca de um quinto do consumo total de energia vem dos eletrodomésticos clássicos. É precisamente aqui que existe grande margem para poupança, sobretudo porque muitos aparelhos já estão desatualizados ou são utilizados de forma pouco eficiente.
O campeão discreto: combinação frigorífico-congelador
Para muita gente, a resposta sobre qual o equipamento que mais eletricidade “come” está mesmo à vista: a combinação frigorífico-congelador. Faz parte do essencial de qualquer casa e, literalmente, nunca pára - 24 horas por dia, 365 dias por ano.
Ao contrário do fogão ou do forno, que só são ligados em determinados momentos, o frigorífico trabalha continuamente em segundo plano. Os compressores entram e saem em funcionamento para manter a temperatura estável. Ao fim de um ano, o acumulado torna-se significativo.
"Uma combinação frigorífico-congelador típica chega, em média, a cerca de 346 kilowatt-hora por ano - muitas vezes mais do que qualquer outro aparelho individual numa casa."
Por isso, está no topo dos grandes consumidores de eletricidade. Logo a seguir surgem equipamentos que também exigem muita potência ou que acumulam longos tempos de funcionamento.
Estes aparelhos consomem particularmente muita eletricidade
- Combinação frigorífico-congelador: ca. 346 kWh por ano
- Secador de roupa: ca. 301 kWh por ano
- Arca congeladora: ca. 288 kWh por ano
- Televisor: ca. 187 kWh por ano
- Frigorífico sem congelador: ca. 166 kWh por ano
- Máquina de lavar loiça: ca. 162 kWh por ano
- Fogão elétrico/forno: ca. 146 kWh por ano
- Placa de cozinhar (elétrica): ca. 131 kWh por ano
- PC de secretária: ca. 123 kWh por ano
- Consola de jogos: ca. 103 kWh por ano
Muita gente estranha esta lista à primeira vista. A suspeita costuma recair sobre computadores ou consolas, por serem associados a tecnologia moderna e elevada potência. Mas, quando se faz a conta ao longo de 12 meses, ficam mais a meio da tabela - ou mesmo mais abaixo - especialmente se não estiverem sempre ligados.
Outro caso claro: televisores recentes, com tamanhos de ecrã semelhantes, gastam muito menos do que modelos antigos. Trocar um aparelho muito antigo por um ecrã plano atual e eficiente pode traduzir-se numa poupança anual visível, mesmo que seja apenas de algumas dezenas de euros.
Ajustes simples: como reduzir o consumo do seu frigorífico
Como a combinação frigorífico-congelador está permanentemente em funcionamento, vale a pena ser aí que se começa a otimizar. Pequenas alterações no local, nas definições e nos hábitos de uso conseguem resultados mensuráveis.
"Um frigorífico a trabalhar de forma eficiente poupa ano após ano - sem que dê por isso, exceto quando olha para a fatura."
Escolher bem o local e acertar a temperatura
- Afastar de fontes de calor: o aparelho não deve ficar encostado ao fogão, a um radiador/aquecedor ou à máquina de lavar loiça. Qualquer calor extra obriga o compressor a esforçar-se mais.
- Garantir ventilação atrás do equipamento: as grelhas de ventilação na parte traseira não podem ficar obstruídas. Pó e móveis demasiado próximos da parede aumentam o consumo.
- Regular temperaturas moderadas: no frigorífico, 7 graus costuma ser suficiente; no congelador, cerca de –18 graus. Cada grau a menos implica mais eletricidade, sem benefício real.
Erros do dia a dia que fazem subir o consumo
- Porta aberta durante muito tempo: pensar no que vai comer com a porta aberta deixa sair o frio e obriga o aparelho a recuperar depois.
- Colocar comida quente lá dentro: os alimentos devem arrefecer antes de irem para o frigorífico.
- Camada de gelo espessa no congelador: uma formação de gelo de apenas alguns milímetros funciona como isolamento e piora bastante a eficiência.
Descongelar com regularidade, ajustar a temperatura certa e escolher um bom local podem transformar um aparelho “sempre ligado” num ajudante bem mais económico. Ao longo de vários anos, isso pode representar rapidamente valores na ordem das centenas de euros.
Onde as famílias já poupam - e onde ainda falham
Nos últimos anos, muitas pessoas já mudaram hábitos. Algumas medidas de poupança passaram a fazer parte da rotina.
- A maioria das casas já utiliza lâmpadas LED em vez de lâmpadas incandescentes antigas.
- Muitos preferem um duche a um banho de imersão para reduzir o consumo de água e energia.
- Uma parte da população baixa a temperatura ambiente em um grau ou mais.
À primeira vista, são ações simples, mas, num ano inteiro, a diferença é relevante. As poupanças acumulam-se - sobretudo em períodos de preços de eletricidade mais elevados.
Em contrapartida, as decisões na compra de equipamentos continuam a receber pouca atenção. Ainda há muitos compradores que olham de forma superficial para a classe de eficiência energética, apesar de as diferenças poderem ser enormes. Um modelo mais eficiente pode custar centenas de euros a menos em eletricidade ao longo da sua vida útil.
Quanto vale, na prática, um equipamento eficiente?
Entidades técnicas e agências de energia indicam que eletrodomésticos modernos e eficientes podem consumir entre 20 e 50 por cento menos eletricidade do que aparelhos antigos e pouco eficientes, dependendo do modelo. A discrepância é ainda mais evidente nos equipamentos que funcionam continuamente - precisamente combinações frigorífico-congelador, arcas congeladoras ou também secadores de roupa.
| Equipamento | Antigo, ineficiente (estimativa) | Moderno, eficiente (estimativa) |
|---|---|---|
| Combinação frigorífico-congelador | até 500 kWh/ano | rund 250–300 kWh/ano |
| Secador de roupa | 400–500 kWh/ano | 200–300 kWh/ano |
| Frigorífico | 250–300 kWh/ano | 120–180 kWh/ano |
O preço da eletricidade varia consoante o tarifário, mas, quando o consumo desce de forma clara, a troca por um equipamento novo compensa muitas vezes mais depressa do que se imagina. Quem substitui um modelo com 15 anos pode poupar anualmente tanto que o investimento acaba por se pagar ao fim de alguns anos.
Mais controlo: medir e acompanhar o consumo
Se houver dúvidas sobre quanta eletricidade o seu frigorífico realmente consome, é relativamente fácil medir. Um pequeno medidor de energia, colocado na tomada, mostra o consumo em kilowatt-hora. Com alguns dias ou semanas de medição, fica simples estimar o valor anual.
Alguns fornecedores de energia e sistemas de casa inteligente também disponibilizam apps ou ferramentas online para acompanhar o consumo total. Assim, torna-se evidente quando certos dias ou períodos registam cargas muito acima do normal - um sinal de que há aparelhos a gastar demais ou a funcionar mais tempo do que o necessário.
Como combinar efeitos no quotidiano
É sobretudo na combinação de medidas que surgem poupanças grandes: um frigorífico eficiente, bem regulado e colocado no sítio certo, acompanhado de um congelador sem uma camada de gelo espessa, reduz de forma notória o consumo de base na cozinha. Se a isto se juntarem iluminação LED, programas Eco na máquina de lavar loiça e na máquina de lavar roupa e a eliminação consistente do standby, a fatura vai baixando passo a passo.
Depois de identificar os maiores consumidores de eletricidade em casa, a próxima compra também muda. A classe energética deixa de ser um detalhe no fim e passa para o topo da lista de verificação. Em equipamentos que trabalham dia e noite, vale sempre a pena olhar com mais atenção para a etiqueta energética.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário