Com as plantas certas, isso funciona mesmo.
Muitos jardineiros de fim de semana começam cheios de vontade, compram por impulso flores vistosas numa loja de bricolage e jardinagem - e, poucas semanas depois, só têm caules secos à frente. Não tem de ser assim. Com algumas plantas perenes resistentes e bolbos acessíveis, é possível criar um canteiro que regressa todos os anos, exige pouca manutenção e, ainda assim, fica com um aspecto excelente.
Porque é que plantas duradouras e económicas valem ouro para iniciantes
Quem está a dar os primeiros passos no jardim costuma sobrestimar duas coisas: o tempo disponível e o quão exigentes muitas plantas podem ser. Variedades mais sensíveis não toleram nem falta de água nem um local mal escolhido. No fim, o “barato” sai caro, porque acaba por se comprar tudo de novo todos os anos.
“Com plantas resistentes e perenes, investe uma vez - e beneficia durante muitos anos de flores e folhagem.”
Uma estratégia particularmente inteligente é combinar épocas de floração como se fosse uma estafeta. Umas espécies dão cor no inverno, outras no fim do inverno e início da primavera, e outras ainda mantêm-se floridas durante o verão inteiro. Assim, o jardim mantém-se vivo durante quase todo o ano, sem necessidade de estar sempre a plantar coisas novas.
As 6 opções mais fáceis de cuidar e mais em conta, num relance
Para um primeiro canteiro económico e pensado para iniciantes, destacam-se seis espécies já testadas em muitos jardins e fáceis de encontrar:
- Gerânios-perenes (gerânios duradouros)
- Açafrões (Crocus)
- Heléboro (rosa-do-Natal ou rosa-da-Quaresma)
- Heuchera (Heuchera)
- Ajuga reptans (cobridor de solo rasteiro)
- Hera comum
Normalmente, estas plantas aparecem à venda como plantas jovens em vaso, ou então como bolbos. Adaptam-se bem a terra de jardim comum, não pedem adubos especiais e são surpreendentemente tolerantes quando, de vez em quando, a rega falha.
Estafeta de floração no canteiro: cor de dezembro a outubro
Heléboro: flores quando o resto do jardim está a “dormir”
O heléboro floresce a meio do inverno e, conforme a variedade, pode abrir flores de dezembro a março. Quando o relvado parece baço e os arbustos estão despidos, surgem as suas flores elegantes em branco, rosa, verde ou violeta. Esta perene aguenta bem o frio e prefere meia-sombra, por exemplo debaixo de arbustos de folha caduca.
Outro trunfo: mesmo fora da floração, o heléboro mantém-se interessante graças à folhagem escura e pode lembrar uma pequena planta de interior - mas no exterior.
Açafrões: manchas de cor no fim do inverno
Logo a seguir, a partir de fevereiro, os açafrões começam a romper o solo ainda frio. As flores amarelas, brancas ou lilases trazem ambiente de primavera quando ainda há pouco a acontecer. Os bolbos são muito baratos, ficam óptimos em grupos grandes e tendem a naturalizar-se com o tempo - ou seja, multiplicam-se sozinhos.
Os açafrões resultam bem em relvados, nas bordaduras dos canteiros ou sob árvores e arbustos. Um ponto essencial: só deve cortar ou aparar a folhagem quando ela tiver secado por completo. É assim que os bolbos recuperam energia para o ano seguinte.
Gerânios-perenes: um tapete florido de maio até ao outono
A partir de maio, entram em cena os gerânios-perenes. Não são os gerânios típicos de varanda, mas sim perenes rústicas, capazes de formar almofadas densas. Dependendo da variedade, podem florir até outubro, em tons de rosa, violeta, azul ou branco.
Crescem mais para o lado, ajudam a travar ervas espontâneas e são óptimos para fechar áreas vazias. Uma poda depois do primeiro pico de floração costuma estimular uma segunda floração, mais discreta.
“Com heléboro, açafrões e gerânios-perenes, cria-se uma espécie de ‘estafeta de floração’: inverno, fim do inverno e verão ficam cobertos, sem precisar de replantar todos os anos.”
Artistas da folhagem: plantas que ficam bonitas mesmo sem flor
Heuchera: folhas coloridas em vez de flores exuberantes
As heucheras chamam menos a atenção pelas flores e mais pelas folhas. A paleta vai de quase preto a vermelho-bordô e verde-lima; algumas variedades têm padrões marmoreados. Dão estrutura ao canteiro e garantem interesse visual mesmo em fases com poucas flores.
É uma perene, prefere solo bem drenado e adapta-se bem à meia-sombra. Em especial junto a caminhos ou como bordadura, fica muito decorativa.
Ajuga reptans: um tapete que ajuda a controlar as ervas espontâneas
A ajuga rasteira forma mantos compactos, alarga-se por si e deixa pouco espaço para ervas espontâneas. Na primavera, levanta espigas florais azuis ou violetas; no resto do ano, a folhagem mantém um “tapete” contínuo.
Para poupar, basta plantar apenas alguns exemplares e deixar a ajuga fazer o trabalho. Fecha falhas no canteiro, tolera ser pisada e também se dá bem em meia-sombra.
Hera: preenchimento sempre-verde para zonas vazias
A hera é conhecida por quase toda a gente, mas muitos subestimam o quão útil é para quem está a começar. É resistente, mantém-se verde todo o ano e lida muito bem com sombra. Pode ser usada como cobridor de solo ou para cobrir muros e vedações.
Atenção apenas a um ponto: a hera cresce com vigor. Se quiser mantê-la controlada, convém podar com decisão uma ou duas vezes por ano. Fazendo isso, continua a ser uma aliada fiel e fácil de manter.
Reduzir custos: multiplicar plantas em vez de comprar de novo
Quem quer mesmo poupar não depende apenas de espécies baratas - também as multiplica em casa passados alguns anos. Muitas das plantas referidas são ideais para isso.
- Dividir touceiras: os gerânios-perenes e as heucheras formam touceiras que, ao fim de alguns anos, podem ser divididas com a pá. De uma planta, obtém três ou quatro.
- Separar plantas rasteiras: a ajuga e a hera produzem estolhos e rebentos. Dá para destacar um pedaço com raiz e replantar noutro local.
- Deixar os bolbos naturalizarem-se: em boas condições, os açafrões espalham-se sozinhos. Se não cortar o relvado demasiado cedo, isto acontece quase sem esforço.
“Com divisões e estolhos, seis plantas compradas podem transformar-se em dezenas em poucos anos - sem custos adicionais.”
Protecção contra animais: truques simples contra escavações e mordidelas
Há um momento frustrante no jardim: planta-se com cuidado e, depois, gatos ou aves revolvem exactamente a zona onde estão os rebentos novos. Para evitar que plantas recém-colocadas sejam danificadas, pode recorrer a soluções muito simples.
Podem ajudar, por exemplo:
- pequenos ramos ou ramagem por cima das áreas mais sensíveis
- grelhas de plantação ou velhos cestos de arame, para proteger as plantas jovens no início
- uma “dissuasão” natural suave, como pó picante à volta, que os animais evitam sem prejudicar as plantas
Estas medidas complementam a robustez das espécies acima. Se proteger um pouco as plantações na fase inicial, perde menos plantas - e, com isso, menos dinheiro.
Local, rega, solo: como iniciantes tiram partido das 6 plantas
Mesmo as espécies mais fáceis de cuidar têm necessidades básicas. Respeitando-as, o retorno é grande com pouco esforço.
| Planta | Local | Necessidades de água |
|---|---|---|
| Heléboro | Meia-sombra, solo rico em húmus | humidade regular, sem encharcamento |
| Açafrões | Sol a meia-sombra | húmido na primavera, mais seco no verão |
| Gerânios-perenes | Sol a meia-sombra | normal; seca curta não é problema |
| Heuchera | Meia-sombra | moderadamente húmido |
| Ajuga reptans | Meia-sombra, solo fresco | não gosta de secar demasiado |
| Hera | Sombra a meia-sombra | aguenta pouca água depois de enraizada |
Seguindo estas indicações de forma geral, não é preciso andar sempre a regar ou a adubar. Uma camada de cobertura (mulch) com folhas secas ou aparas de relva ajuda a manter a humidade no solo e a travar o aparecimento de ervas espontâneas.
Dicas práticas para iniciantes criarem um canteiro barato e de baixa manutenção
Para começar, chega um pequeno espaço. Um exemplo: cerca de dois metros quadrados junto à borda do terraço, dividido em três zonas - à frente, açafrões e ajuga; ao centro, gerânios-perenes e heucheras; atrás, heléboro e hera. Assim, cria-se profundidade sem precisar de muitas espécies diferentes.
Também faz sentido não plantar tudo de uma vez. Primeiro, introduza algumas perenes resistentes e, no ano seguinte, complemente com novas plantas obtidas por divisão. Isto protege o orçamento e dá tempo para perceber como cada espécie se comporta no seu jardim: onde cresce melhor, onde fica mais pequena e onde se expande com força.
Ao orientar-se por estas seis espécies, o hobby fica menos “pesado”. Os erros têm menos impacto, os contratempos custam menos ao bolso e a motivação mantém-se. E, à medida que as plantas se estabelecem, a experiência também aumenta - e o jardim dá mais prazer de época em época, com um esforço controlado.
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