A casa herdada em Vila Pouca e o incêndio de outubro de 2017
Quando a habitação que Sara Silva recebeu do avô, em Vila Pouca, no concelho de Santa Comba Dão, foi consumida pelas chamas em outubro de 2017, não se perdeu apenas um imóvel. O fogo levou também o projeto de ali vir a passar a vida, na casa onde cresceu. Como ainda não tinha conseguido concluir a recuperação, estava a viver com o marido noutro sítio. A moradia T3, descrita como "um bocadinho velha", acabou por ser enquadrada como segunda habitação.
Para Sara, contudo, aquela classificação nunca refletiu o que a casa significava. "Estava a morar com o meu marido noutro local, mas era a minha casa. Estava a recuperá-la, era onde tinha as minhas coisas", relata. "Foi a minha casa de infância", sublinha, referindo que a recebeu como "doação do avô" e que pretendia ir avançando com obras aos poucos, com o objetivo de se mudar para lá. "Sempre gostei [dessa ideia], foi onde cresci, onde passei a minha infância". "Nunca pensei que fosse destruída por fogos".
A recusa de recuperação e as promessas sem resultado
Desde esse dia, pouco ou nada se alterou no que toca ao futuro da casa. A CCDRC comunicou-lhe que a reconstrução não avançaria por ser considerada segunda habitação. E, apesar de vários autarcas lhe terem "prometeram ajuda" para tentar desbloquear o problema, o resultado, diz, foi "zero".
Ainda tentou uma candidatura ao Instituto da Habitação e Reabilitação urbana, mas a resposta foi semelhante: "também disseram que as verbas não chegavam para todas as casas". Mesmo com ambos empregados - ela num hotel e ele numa fábrica -, o dinheiro que entra em casa "não é suficiente" para suportarem sozinhos a reconstrução.
A revolta, a vida com os sogros e o sonho para a filha
"É uma injustiça. Houve pessoas que tiveram apoio nas mesmas condições e muitas a quem nem ardeu nada e tiveram ajuda", afirma, indignada. "Tentei de tudo, foi muito tempo perdido, duvido [que atribuam ajuda]. Só se houver um milagre", desabafa.
Atualmente, Sara vive com os sogros e é mãe de uma menina de quatro anos. É sobretudo por ela que insiste em não desistir de voltar a morar na casa de infância. "Era esse o meu sonho, mais pela minha filha, para lhe poder dar melhores condições, para ela ter o espacinho dela. Todos gostamos de ter o nosso espaço", explica ao JN.
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