Quando os preços da eletricidade sobem, quase toda a gente pensa imediatamente na climatização da casa. No entanto, há um equipamento discreto que funciona sem parar e vai consumindo energia de forma contínua - e, em muitas cozinhas, está mesmo ao lado da máquina de café. Quem quer controlar a fatura a sério deve começar por olhar para esse ponto.
Eletricidade em casa: fatia pequena, conta pesada
Num lar típico, apenas uma parte do gasto total de energia corresponde à eletricidade. O aquecimento e a água quente continuam a pesar mais no orçamento, mas o consumo elétrico não é negligenciável: cerca de 17 por cento da despesa energética total vem dos aparelhos elétricos - em média, bem acima dos mil euros por ano.
Nesse valor entra praticamente tudo o que se usa no dia a dia: iluminação, equipamentos de cozinha, máquina de lavar roupa, eletrónica de entretenimento, computadores, router, carregadores. Alguns funcionam apenas algumas horas; outros ficam ativos sem darmos por isso. Há, porém, um aparelho que quase nunca descansa.
"O maior devorador de eletricidade em casa normalmente não é a televisão - é o equipamento que nunca é desligado."
Mesmo que aquecimento e água quente sejam os itens mais pesados no “cabaz” energético, quem pretende reduzir custos ao pormenor não consegue ignorar os eletrodomésticos - sobretudo um em particular.
O verdadeiro funcionamento contínuo: frigorífico com congelador
Em grande parte das cozinhas, está tão presente que raramente é associado à fatura da luz: o frigorífico ou a combinação frigorífico-congelador. Precisamente por operar em permanência, tende a liderar o consumo anual de eletricidade.
Enquanto um forno ou uma máquina de lavar loiça só trabalham quando são usados, o frigorífico ativa ciclos de refrigeração ao longo de todo o dia e de toda a noite. E a soma desses muitos ciclos curtos é significativa - e aparece diretamente na conta.
"Uma combinação frigorífico-congelador típica chega a cerca de 346 kWh por ano - mais do que qualquer outro aparelho doméstico."
Por isso, no ranking dos grandes consumidores domésticos, este equipamento fica claramente no topo. Se considerarmos 0,30 € por kWh, o valor ultrapassa 100 euros por ano - apenas para este único aparelho.
Quanto consomem os principais aparelhos (comparação)
Uma lista de consumos anuais médios ajuda a perceber onde a eletricidade “desaparece”. Os valores abaixo são indicativos e podem variar consoante o modelo e a forma de utilização, mas apontam uma tendência bastante clara:
- Combinação frigorífico-congelador: ca. 346 kWh por ano
- Secador de roupa: ca. 301 kWh por ano
- Congelador (separado): ca. 288 kWh por ano
- Televisão: ca. 187 kWh por ano
- Frigorífico (sem congelador): ca. 166 kWh por ano
- Máquina de lavar loiça: ca. 162 kWh por ano
- Forno elétrico: ca. 146 kWh por ano
- Placa elétrica: ca. 131 kWh por ano
- PC fixo: ca. 123 kWh por ano
- Consola de jogos: ca. 103 kWh por ano
Muita gente estranha esta ordem. Uma noite a jogar parece, subjetivamente, “gastar muito”, ao passo que o ruído do secador ou o zumbido do motor de refrigeração passam mais despercebidos.
É aqui que surge o equívoco: aparelhos que trabalham pouco tempo, mas de forma intensa, raramente conseguem ultrapassar um equipamento em funcionamento contínuo. Um secador usado algumas vezes por semana ou uma consola ligada ao fim de semana acabam, no total, por consumir menos do que um aparelho que nunca para.
Porque é que a refrigeração fica tão cara
Do ponto de vista do custo, os equipamentos de frio têm vários pontos desfavoráveis:
- Funcionam todas as horas do dia, mesmo quando não está ninguém em casa.
- Precisam de compensar continuamente a diferença de temperatura entre o interior e a cozinha.
- Modelos antigos são, muitas vezes, bastante menos eficientes do que os atuais.
- Uma instalação pouco adequada (por exemplo, mesmo ao lado do fogão) aumenta ainda mais o consumo.
Além disso, muitas casas têm mais do que um equipamento de frio - por exemplo, um segundo frigorífico antigo na arrecadação ou uma arca congeladora extra. Cada “funcionamento contínuo” adicional soma diretamente na conta anual.
Ajustes simples com efeito visível
Em muitas famílias, já foram adotadas medidas básicas de poupança: lâmpadas LED em vez das antigas, duches mais curtos, temperatura de aquecimento ligeiramente mais baixa. No acumulado do ano, essas mudanças fazem diferença.
No consumo dos eletrodomésticos, porém, o potencial de poupança fica muitas vezes por aproveitar, apesar de os “botões” serem relativamente fáceis de mexer. Para lá de usar com mais critério o secador ou o forno, há dois fatores que contam muito: a decisão de compra e a forma de utilização.
"Quem, na compra, dá prioridade à eficiência energética pode reduzir o consumo de um aparelho em 20 a 50 por cento - e isso durante muitos anos."
O que deve ter em conta no frigorífico
- Localização: evitar colocar o aparelho colado ao fogão, a uma fonte de calor, ou junto da máquina de lavar loiça. Cada fonte de calor extra obriga o equipamento a trabalhar mais.
- Distância à parede: deixar alguns centímetros de espaço atrás do aparelho melhora a ventilação e reduz o esforço do compressor.
- Temperatura bem regulada: no frigorífico, 7 graus costuma ser suficiente; no congelador, cerca de −18 graus. Mais frio raramente traz vantagens e aumenta o consumo.
- Não deixar a porta aberta: cada abertura prolongada deixa entrar ar quente, que depois tem de ser arrefecido.
- Descongelar com regularidade: gelo acumulado no congelador atua como isolante - o compressor precisa de mais tempo para atingir a temperatura desejada.
- Avaliar equipamentos antigos: um frigorífico com 15 anos pode gastar facilmente o dobro de um modelo atual mais eficiente.
Quando é que vale a pena comprar novo
Um equipamento novo implica um custo inicial. Ainda assim, quando o aparelho antigo é muito ineficiente, a substituição costuma compensar ao fim de poucos anos. Ao trocar um modelo “gastador” por uma combinação frigorífico-congelador eficiente, é possível poupar, por ano, várias dezenas de euros.
Um exemplo simples: se o frigorífico antigo consumir 500 kWh por ano e o novo apenas 250 kWh, a despesa baixa, a 30 cent por kWh, em 75 euros por ano. Com o passar do tempo, mesmo um preço de compra intermédio pode ser amortizado.
Para além do frigorífico: hábitos que reduzem a fatura da eletricidade
Vale a pena identificar o “funcionamento contínuo” escondido, mas a fatura resulta sempre da soma de muitos pequenos consumos. Quem intervém em vários pontos ao mesmo tempo sente o impacto mais depressa.
| Área | Medida típica | Efeito possível |
|---|---|---|
| Iluminação | Trocar para LED | Consumo muito menor com a mesma luminosidade |
| Casa de banho | Duche em vez de banho | Menos energia para aquecer água |
| Aquecimento | Baixar a temperatura em 1 grau | Redução percetível de custos durante a época de aquecimento |
| Lavagem | Usar programas Eco | Ciclos mais longos, mas muitas vezes muito menos eletricidade |
| Standby | Desligar completamente | Evita perdas contínuas desnecessárias |
Ainda hoje, na compra de eletrodomésticos, muitos consumidores comparam sobretudo preço, marca e funcionalidades. A eficiência energética fica facilmente em segundo plano, apesar de, ao longo da vida útil, poder representar várias centenas de euros.
Identificar “comedores” de eletricidade: dicas práticas no dia a dia
Quem quer perceber, com detalhe, para onde vai a energia em casa pode recorrer a ferramentas simples. Um exemplo clássico são as tomadas intermédias com medição. Elas mostram em tempo real quanto um equipamento está a consumir - inclusive em standby.
Um procedimento típico pode ser o seguinte:
- Monitorizar a combinação frigorífico-congelador durante uma semana com uma tomada medidora.
- Extrapolar os valores e compará-los com a ficha técnica do fabricante.
- Decidir se faz sentido trocar o aparelho ou melhorar a sua instalação.
- Substituir, passo a passo, os maiores “picos” por alternativas mais eficientes.
Aplicações móveis dos fornecedores de energia ou visores de smart meter também ajudam a detetar picos de consumo - por exemplo, quando vários eletrodomésticos grandes estão a funcionar em simultâneo.
O que muitos desvalorizam: pequenos efeitos, grande soma
Não existe uma medida única que resolva tudo. A redução mais notória surge da combinação de ações: aparelhos um pouco mais eficientes, utilização mais consciente, menos standby e atenção aos “contínuos” como o frigorífico e a arca congeladora.
No caso do frio, ajustes pequenos têm um impacto acumulado relevante. Um equipamento bem colocado, descongelado com regularidade e com temperaturas ajustadas pode poupar kWh ano após ano, sem tornar o dia a dia mais complicado. E, se além disso for substituído por um modelo mais económico, a necessidade de eletricidade diminui de forma duradoura.
Para muitas casas, compensa mais olhar com honestidade para a cozinha do que culpar a consola ou o PC. O verdadeiro “ladrão” de energia está muitas vezes junto ao lava-loiça - e a funcionar em silêncio.
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