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Adeus ao ripado de madeira: cana entrançada e molduras discretas dominam 2026

Mulher a pendurar quadro na parede numa sala luminosa com decoração natural e sofá bege.

As salas de estar no pós-Natal ficam, de repente, com ar despido - e as tendências de paredes que no ano passado pareciam “cheias de estilo” começam a pesar, como se estivessem cansadas.

Um pouco por toda a Europa e na América do Norte, muitos proprietários estão a reconhecer em voz baixa aquilo que os decoradores já vinham a comentar há meses: as paredes com ripado vertical de madeira, que inundaram as redes sociais, passaram a parecer datadas e sombrias. No lugar delas, os painéis de inspiração para 2026 apontam para uma mistura mais suave, mais luminosa e com um toque quase retro.

Adeus ripado de madeira, olá cana entrançada e molduras discretas

Durante vários anos, as réguas verticais e os ripados de madeira estiveram por todo o lado: atrás de móveis de TV, em cabeceiras, em corredores. Criavam uma moldura muito gráfica no espaço, mas o resultado acabava muitas vezes por ser rígido, escuro e exigente de manter.

Este ano, a orientação dos designers está a mudar para algo muito mais delicado: cana entrançada (em rede) de aspeto natural e molduras finas pintadas. Em conjunto, dão um ar nostálgico sem parecer um cenário de cinema e encaixam na perfeição nos interiores mais calmos - uma decoração mais lenta e serena - que tanta gente procura hoje em casa.

“Em vez de tábuas maciças que bloqueiam a luz e acumulam pó, os painéis de cana entrançada filtram a claridade e dão às paredes uma textura mais respirável.”

A cana, normalmente feita de ratã e usada de forma tradicional em assentos de cadeiras, está a surgir em frentes de roupeiros, aparadores e painéis de parede leves. O padrão entrançado cria pequenas aberturas por onde a luz passa, pelo que mesmo uma superfície grande não se torna um “muro” visual.

Para equilibrar esse lado natural, os decoradores conjugam com molduras finas pintadas exatamente no mesmo tom da parede: molduras delicadas, contornos ou um friso à altura do lambril - não um revestimento pesado e antiquado. O objetivo é simples: dar estrutura suficiente a uma parede lisa para que pareça pensada, sem a sobrecarregar.

“Pintadas tom sobre tom, as molduras acrescentam profundidade e sombra, não uma aula de história em falso estilo de época.”

Este par - cana orgânica e linhas arquitetónicas discretas - está a empurrar o ripado para segundo plano porque entrega algo que ele raramente conseguia: relevo, textura e calor sem “engolir” a divisão.

Porque é que esta combinação de “natureza + relevo” resulta em casas reais

O novo visual para paredes acompanha a forma como vivemos hoje, além de bater certo com as previsões de tendências. As casas são mais pequenas, os objetos do dia a dia multiplicam-se e cresce a vontade de ter espaços tranquilos, mas ainda assim interessantes.

Mais luz, mais transparência e menos peso visual

O ripado de madeira, sobretudo em tons escuros, tende a absorver a luz e a estreitar visualmente as divisões. A cana faz o inverso. A sua malha aberta:

  • deixa a luz natural atravessar e suaviza sombras duras
  • acrescenta textura sem fechar a perspetiva
  • pode ser aplicada à frente do interior de armários sem criar um efeito de “bloco”

Num roupeiro, por exemplo, frentes em cana mantêm a arrumação funcional, mas passam a sensação de uma peça mais leve e arejada. Numa cabeceira, acrescenta personalidade sem o volume visual de uma parede inteira em madeira.

Molduras “quase invisíveis” que mudam tudo

As molduras finas, pintadas no mesmo tom da parede, estão a tornar-se a estrela silenciosa desta tendência. Não pedem atenção, mas criam sombras subtis que se transformam ao longo do dia. Uma moldura retangular simples por cima do sofá, ou um friso baixo a correr no terço inferior da parede, faz com que a divisão pareça imediatamente mais acabada.

“O que à primeira vista parece apenas uma parede pintada, torna-se mais rico e tátil quanto mais se aproxima.”

Os designers sugerem, muitas vezes, uma só cor calma - branco quebrado, bege argila, verde sálvia suave - para toda a parede, incluindo as molduras. Assim evita-se o efeito “aos bocados” que as cores de destaque muito fortes por vezes criam, mantendo o relevo visível com as mudanças de luz.

Um visual de “parede de revista” com orçamento pós-Natal

Muita gente assume que revestir paredes implica obras, poeiras e uma fatura dolorosa. A vaga atual de cana entrançada e molduras está a ganhar força também por não exigir isso. Grande parte dos projetos é viável com noções básicas de bricolage e uma tarde livre.

Quanto custam, na prática, estes materiais em 2026

Elemento Utilização típica Custo aproximado*
Cana entrançada (em rede) Portas, cabeceiras, painéis de parede £12–£35 / $15–$40 por painel ou metro
Molduras de parede Molduras, frisos, contornos de painéis £4–£12 / $5–$15 por metro linear

*Os preços variam conforme o país e a qualidade, mas ficam bem abaixo dos ripados em madeira maciça.

A cana costuma ser vendida em rolos ou em painéis, fáceis de cortar com ferramentas básicas. Pode ser fixada em portas existentes ou em estruturas leves com um agrafador ou um adesivo de construção forte. Já as molduras finas, em pinho, poliestireno ou poliuretano, também são simples: corta-se o ângulo com uma serra de meia-esquadria, cola-se à parede e pinta-se tudo de uma vez.

“Uma parede de sala pode passar de ‘bege plano de casa arrendada’ para ‘hotel boutique’ numa tarde de domingo.”

Entre as melhorias de fim de semana que as pessoas estão a experimentar em 2026, destacam-se:

  • uma zona inferior emoldurada na parede, pintada num tom terroso e quente atrás do sofá
  • inserções de cana num aparador IKEA já existente, para lhe dar um ar mais feito à medida
  • um painel simples de cana fixado atrás da cama, emoldurado com molduras finas para uma cabeceira leve

Das tendências rápidas para uma decoração mais calma e “lenta”

Esta mudança, afastando-se do ripado de madeira, diz muito sobre a forma como o gosto está a amadurecer. Depois de anos de tendências rápidas guiadas pelas redes sociais, há cada vez mais pessoas a querer casas que envelheçam melhor e pareçam menos performativas.

A cana responde a isso porque transmite trabalho manual e uma imperfeição agradável. A trama não é sempre igual, as fibras mostram diferenças subtis de cor e o material ganha pátina com o tempo. As molduras finas, por sua vez, remetem para o saber-fazer tradicional sem obrigar a uma linguagem histórica rígida.

“O objetivo já não é impressionar visitas com uma parede de destaque, mas criar uma divisão onde apetece passar noites calmas.”

Os psicólogos do design referem muitas vezes que materiais naturais com textura se associam a níveis de stress mais baixos em casa. Sombras suaves e padrões delicados são mais fáceis de processar pelo cérebro do que contrastes agressivos e superfícies muito brilhantes. Isso pode ajudar a explicar porque é que esta estética está a ter tanta adesão depois de vários anos de incerteza.

O que deve saber antes de escolher cana entrançada e molduras

Alguns pontos práticos ajudam esta tendência a resultar a longo prazo - e não apenas como mais uma moda passageira.

Manutenção, durabilidade e onde faz mais sentido aplicar

A cana é mais leve e fácil de manusear do que a madeira maciça, mas ainda assim pede cuidados. Em divisões muito secas, pode tornar-se quebradiça; em ambientes muito húmidos, pode ceder e ondular. Usá-la em frentes de mobiliário ou em painéis amovíveis, em vez de a aplicar como revestimento fixo do chão ao teto, dá-lhe margem de manobra caso um dia precise de substituir ou reparar partes.

No caso das molduras, o maior risco é uma preparação deficiente. A parede deve estar razoavelmente lisa e sem pó antes da colagem. Depois de instaladas e pintadas, as molduras passam a fazer parte da “arquitetura” do espaço, e removê-las vai deixar marcas. Optar por perfis simples e intemporais reduz a probabilidade de se cansar depressa.

Como integrar com estilos e paletas já existentes

Esta combinação de 2026 entra com facilidade em várias estéticas:

  • Ambientes de inspiração escandinava: cana clara, paredes branco quente e molduras muito finas.
  • Vibração ‘mid-century’: portas com cana, mobiliário em nogueira e paredes em mostarda suave ou verde azeitona.
  • Interiores costeiros: cana com beges areia, azuis suaves e perfis arredondados.

Se já tem uma parede com ripado de madeira e não quer partir para uma demolição total, uma opção simples é suavizar o efeito em vez de o apagar. Pode pintar o ripado no mesmo tom da parede para reduzir o contraste e, depois, acrescentar uma ou duas peças de mobiliário com frentes em cana e um detalhe de moldura emoldurada numa parede adjacente. As novas texturas vão, naturalmente, puxar o olhar para longe da tendência anterior.

Para quem não conhece o termo, “cana entrançada (em rede)” refere-se a folhas de fibras de ratã tecidas em grelha, muitas vezes chamadas “cana francesa” ou “palhinha de Viena”. Não deve ser confundida com painéis de bambu nem com ratã sintético; essas alternativas existem, mas não oferecem a mesma leveza nem o mesmo toque.

À medida que 2026 avança, a direção é inequívoca: as paredes estão a perder ripas pesadas e linhas duras, a favor de acabamentos mais respiráveis e agradáveis ao toque. A cana entrançada e as molduras subtis ficam precisamente nesse ponto de encontro entre conforto, acessibilidade e carácter discreto que tantas pessoas procuram agora nas suas casas.

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