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Estudo de Sevilha: paredes de plantas reduzem poluentes do ar interior em 96 a 98% em 24 horas

Homem sentado numa mesa com portátil, rodeado de plantas, a aproveitar a luz natural com olhos fechados.

A investigação mais recente explica, de forma muito concreta, como as plantas conseguem reduzir de maneira expressiva este risco.

Quando se fala em smog e substâncias tóxicas, muita gente pensa de imediato em gases de escape e chaminés industriais. No entanto, é precisamente dentro de casa - em salas, escritórios e salas de aula - que, com frequência, se acumula uma carga elevada de poluentes. Tintas, mobiliário, produtos de limpeza, ambientadores, aquecedores, fumo do tabaco ou os vapores da cozinha libertam uma combinação de gases e partículas que, ao longo do tempo, degrada claramente o ar interior. Um estudo realizado em Sevilha apresenta agora uma pista surpreendentemente clara sobre como esta pressão sobre a qualidade do ar pode ser reduzida de forma drástica com a ajuda de plantas.

Quando a casa adoece

As autoridades agrupam as queixas associadas a má qualidade do ar interior sob a designação de “síndrome do edifício doente”. Trata-se de um conjunto de sintomas que muitas pessoas reconhecem, mas que raramente relacionam com o local onde vivem ou trabalham:

  • cansaço persistente apesar de dormir o suficiente
  • dores de cabeça, sobretudo após permanecer muito tempo no mesmo espaço
  • irritação nos olhos, nariz ou garganta
  • dificuldade em manter a concentração
  • sensação pesada e “abafada” na cabeça

Em edifícios novos ou recentemente remodelados, somam-se ainda outros factores: emissões de vernizes, alcatifas, derivados de madeira ou colas. Muitos destes compostos pertencem ao grupo dos chamados compostos orgânicos voláteis (COV). Estão presentes no ar - muitas vezes sem cheiro e invisíveis - e podem continuar a libertar-se dos materiais durante anos.

“Os espaços interiores podem estar duas a cinco vezes mais carregados do que o ar exterior - mesmo em cidades com muito tráfego.”

Com este pano de fundo, investigadores da Universidade de Sevilha procuraram uma solução que pudesse ser integrada em edifícios já existentes, simples de aplicar e que dispensasse tecnologia complexa.

A experiência com uma câmara de vidro

Para o estudo, a equipa construiu um compartimento fechado em vidro. Dentro desse miniambiente instalaram as chamadas paredes de plantas: superfícies verticais densamente cobertas com plantas de interior seleccionadas. O ar conseguia circular, mas o espaço mantinha-se isolado do exterior.

Em seguida, introduziram no ar poluentes típicos de interiores, incluindo:

  • dióxido de azoto (NO₂) - um gás irritante associado, por exemplo, a fogões a gás ou a gases de combustão
  • dióxido de enxofre (SO₂) - gerado sobretudo na combustão de combustíveis fósseis
  • formaldeído - um COV que frequentemente se liberta de móveis, aglomerados, têxteis ou colas
  • acetona - conhecida pelos removedores de verniz, mas também presente em alguns detergentes e tintas

Depois disso, o grupo acompanhou como a concentração destas substâncias evoluía ao longo do tempo, enquanto o ar atravessava as paredes verdes.

Até 98% menos poluentes em apenas 24 horas

O desfecho surpreendeu até os próprios autores do trabalho. Ao fim de um dia, quase todas as substâncias nocivas tinham, na prática, desaparecido.

“Consoante o poluente, os valores desceram 96 a 98 por cento no espaço de 24 horas.”

O aspecto mais impressionante não foi apenas a redução intensa, mas também a rapidez. Apenas um quarto de hora após a introdução dos poluentes, a concentração já tinha baixado de forma clara.

Os registos mostraram que, passados 15 minutos, dependendo do composto, cerca de um quarto até quase metade da carga já tinha sido removida. Para a utilização no dia a dia, isto significa que as paredes de plantas não actuam só a longo prazo: podem melhorar o ar de maneira perceptível ao longo do próprio dia.

Que plantas se destacaram no teste

Os investigadores avaliaram cinco espécies comuns de plantas de interior, adequadas, em princípio, a jardins verticais:

Espécie Nome latino Ponto forte observado no ensaio
Lírio-da-paz Spathiphyllum wallisii reduziu o dióxido de azoto, em cerca de uma hora, em aproximadamente 60 por cento
Clorófito (planta-aranha) Chlorophytum comosum degradou formaldeído de forma particularmente rápida
Figueira-trepadeira Ficus pumila bom desempenho de filtragem para vários gases
Filodendro (trepador) Philodendron scandens aplicação versátil, espécie robusta para coberturas densas
Tradescântia Tradescantia zebrina apoiou a redução de vários COV

Os resultados deixaram claro que nem todas as espécies são igualmente eficazes para todos os poluentes. A amplitude do “leque” de substâncias filtradas depende, em grande medida, da combinação utilizada.

“Uma mistura de espécies bem escolhida aumenta claramente o efeito da parede verde.”

Como as plantas limpam o ar

A capacidade das plantas para reter poluentes não é um tema totalmente novo na investigação. O estudo de Sevilha, porém, mostra de forma muito específica quão forte pode ser esse efeito quando a vegetação é usada de propósito como filtro.

Há vários mecanismos em simultâneo:

  • as folhas absorvem gases através de minúsculas aberturas
  • parte das substâncias fica depositada em superfícies como folhas e caules
  • no substrato das raízes vivem microrganismos que degradam determinados poluentes
  • graças à circulação do ar na parede, o ar carregado passa repetidamente pelas superfícies activas

Esta combinação transforma os jardins verticais num filtro de ar natural, sem necessidade de troca de filtros e sem tecnologia exigente. Naturalmente, um “biofiltro” também requer manutenção, água e, ocasionalmente, poda - mas não depende de cartuchos descartáveis.

Não substitui a ventilação - mas é um reforço poderoso

Os autores sublinham que as paredes de plantas não vêm substituir sistemas clássicos de ventilação e filtragem. A proposta é encarar a vegetação como um pilar adicional num conceito de edifícios saudáveis.

“As paredes de plantas não substituem a ventilação intensa de curta duração ou um bom sistema de ventilação - reduzem a carga residual e melhoram o clima interior de forma perceptível.”

Na prática, estes sistemas podem ser úteis em muitos contextos:

  • escritórios e open spaces com ar condicionado
  • escolas e jardins-de-infância onde é difícil arejar
  • apartamentos em ruas com tráfego intenso
  • consultórios, salas de espera, ginásios
  • hotéis, restaurantes e centros comerciais

Especialmente em espaços onde muitas pessoas passam horas juntas, a purificação contínua do ar funciona como um alívio. Além disso, a presença de vegetação tem um efeito psicológico: está demonstrado que as plantas reduzem o stress e aumentam o bem-estar.

O que isto significa para as casas

A investigação baseou-se em paredes de plantas densas e instaladas de forma profissional. Ainda assim, algumas conclusões podem ser transpostas para ambientes domésticos. Quem não tem espaço ou orçamento para um sistema completo pode começar com uma “mini parede verde”, por exemplo numa estante bem composta.

Tendem a ser mais úteis espécies resistentes, com muita massa foliar e boa adaptação ao interior, como:

  • lírio-da-paz
  • clorófito (planta-aranha)
  • epipremno e outros filodendros trepadores
  • figueira-trepadeira
  • várias espécies de fetos

O ponto-chave é combinar várias plantas e, em vez de as dispersar, concentrá-las num local por onde o ar circule - por exemplo, junto a uma janela ou perto de uma porta.

Riscos e limites a considerar

Apesar de atractivo, o método exige atenção a alguns aspectos por parte de moradores e de quem projecta os espaços:

  • pessoas com alergias fortes a pólen ou a bolores podem reagir a determinadas espécies
  • erros na rega favorecem bolor no substrato - e aí o efeito pode tornar-se negativo
  • crianças pequenas e animais de estimação tendem a roer folhas; algumas plantas de interior são ligeiramente tóxicas
  • em espaços pouco iluminados, muitas espécies precisam de iluminação suplementar para plantas

Por isso, quem planeia uma parede verde de grande dimensão deve envolver especialistas. Esses profissionais escolhem as espécies adequadas, definem rega e iluminação e garantem uma estrutura fácil de manter limpa.

Porque este tema vai ganhar importância a longo prazo

Os edifícios tornam-se cada vez mais estanques para poupar energia. As janelas ficam frequentemente fechadas e a gestão do ar passa para sistemas de climatização. Com isso, qualquer medida que melhore a qualidade do ar interior torna-se automaticamente mais relevante.

As paredes de plantas reúnem aqui vários benefícios: reduzem poluentes, absorvem ruído, ajudam a regular ligeiramente a humidade e valorizam visualmente os espaços. Em conjunto com sensores modernos, que monitorizam os valores do ar, podem imaginar-se sistemas que ajustem a circulação quando determinados limites são ultrapassados.

Para cidades com muita construção nova e muitos edifícios antigos a precisar de reabilitação, a vegetação vertical no interior pode afirmar-se como um elemento de prevenção em saúde moderna - não como uma solução milagrosa, mas como um complemento tangível e vivo à tecnologia e a regras de comportamento, como ventilar regularmente e evitar ambientadores ou detergentes desnecessários.

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