Com a chegada dos primeiros dias amenos da primavera, não é só a época dos grelhados que começa: entra também em força a temporada dos “chupadores de sangue”. As carraças escondem-se na relva e os mosquitos aparecem à volta de qualquer foco de luz. Perante isto, muita gente recorre de imediato a sprays e soluções químicas. No entanto, há uma planta discreta que, colocada na varanda ou no terraço, pode reduzir a incómoda presença destes invasores de forma perceptível - sem recorrer a produtos agressivos.
Porque é que o seu jardim se torna, de repente, um paraíso de carraças e mosquitos na primavera
Quando o termómetro sobe para cerca de 10 a 15 °C, os mosquitos regressam. Primeiro, aqui e ali em março ou abril; depois, no pico do verão, parecem estar por todo o lado - sobretudo junto a água parada e zonas de relva alta. As carraças entram em ação ainda antes: a partir de aproximadamente 7 °C, começam a ficar ativas e aguardam por um hospedeiro em relvados, sebes e faixas de flores silvestres.
Um jardim familiar típico oferece-lhes condições ideais:
- relva ligeiramente alta e sebes densas como esconderijo para carraças
- mato/vegetação baixa ou uma faixa de sombra parcial junto à vedação
- pratos com água residual por baixo de vasos
- depósito de água da chuva sem tampa bem vedada
- baldes ou regadores onde a água da chuva fica acumulada
À nossa vista, isto parece inofensivo. Para carraças e mosquitos, é um buffet “tudo incluído” - com cão, gato, crianças a brincar e convidados à volta do grelhador.
“Basta uma poça no prato do vaso para os mosquitos colocarem ovos - e, poucos dias depois, a geração seguinte já anda a zumbir à volta da mesa do jardim.”
Muitos donos de jardim respondem com relva cortada ao limite e sprays químicos. Isto até pode baixar o número de pragas no curto prazo, mas também retira estrutura ao jardim e prejudica auxiliares úteis, como abelhas e joaninhas. Uma alternativa bem mais suave passa por usar, de forma inteligente, certas plantas aromáticas.
A planta anti-carraças e anti-mosquitos subestimada: aroma a limão em vez de spray venenoso
Uma opção particularmente interessante é o chamado tipo de gerânio com cheiro a limão (frequentemente vendido como “Zitronengeranie” ou gerânio de aroma a limão). Do ponto de vista botânico, pertence às pelargónias aromáticas. O grande destaque destas plantas não são tanto as flores, mas sim as folhas perfumadas.
As folhas são profundamente recortadas, de um verde intenso, e libertam um cheiro cítrico forte quando tocadas. Para nós, é um aroma fresco e agradável; para muitos insetos, é irritante. É precisamente isso que torna esta planta tão interessante para o terraço, a varanda e as zonas de estar no jardim.
Nas folhas encontram-se, entre outros, os compostos aromáticos geraniol e citronelol. Ambos são ingredientes comuns em muitos sprays comprados, muitas vezes promovidos como “naturais”. Ensaios em laboratório e em condições reais sugerem que concentrações elevadas de geraniol podem afastar de forma clara tanto carraças como mosquitos.
“Os estudos indicam: o geraniol pode reduzir em muito mais de metade o número de carraças que chegam a fixar-se - e, no caso dos mosquitos, foram medidos efeitos de repelência de força semelhante.”
Naturalmente, a planta por si só não garante uma proteção a 100%. Ainda assim, funciona como uma espécie de “névoa aromática” à volta do terraço e da varanda. Nestas zonas, os insetos pousam com menos frequência, permanecem menos tempo e acabam por ir embora mais depressa.
Como posicionar o gerânio com cheiro a limão para obter a máxima proteção
Em jardins da Europa Central, o cultivo em vaso costuma ser a melhor solução, porque geadas mais fortes podem danificar a planta. Quando bem colocada, a diferença nota-se - sobretudo em noites quentes.
O melhor local no jardim ou na varanda
- Local: sol a meia-sombra, protegido do vento
- Recipiente: vaso ou floreira com orifícios de drenagem
- Substrato: terra solta, rica em nutrientes e bem drenada
- Época de plantação: a partir de março/abril, assim que deixarem de existir riscos de geadas fortes
À volta dos locais onde se está sentado é onde a planta tende a ser mais útil. Faz sentido, por exemplo:
- alinhar vários vasos ao longo do limite do terraço
- colocar um vaso grande junto à porta de entrada para o jardim
- pôr plantas em peitoris baixos, por exemplo perto de portas de varanda
- posicionar um vaso maior mesmo ao lado da mesa de refeições no exterior
Antes de um jantar com grelhados, pode esfregar algumas folhas entre os dedos. Assim, o aroma intensifica-se por um período curto, e os compostos libertados espalham-se na camada de ar em redor da zona onde se está sentado.
Aplicação na pele: o que é permitido e onde convém ter cuidado
Muitos amantes de jardinagem acabam por esfregar uma folha esmagada diretamente na pele. Pode resultar, mas também pode trazer riscos para pessoas sensíveis. É preferível fazer testes pequenos e ter especial cuidado com crianças.
- aplicar primeiro uma quantidade mínima numa zona pouco visível
- vigiar atentamente reações como vermelhidão, comichão ou ardor
- se houver alergia conhecida a fragrâncias, evitar contacto direto com a pele
- em bebés e crianças pequenas, evitar ao máximo aplicar óleos essenciais diretamente
Quem pretende usar o princípio ativo de forma mais intensa recorre muitas vezes à versão em óleo essencial, comprada em farmácia ou lojas especializadas. Deve ser sempre muito bem diluída e nunca aplicada de forma irrefletida. Em especial, mulheres grávidas, crianças pequenas e animais de estimação podem reagir de forma sensível a fragrâncias concentradas.
Com estas medidas extra, o seu jardim fica muito menos propício a mosquitos
O melhor resultado surge quando combina a planta com algumas rotinas simples no jardim. Desta forma, retira aos “chupadores de sangue” partes importantes do seu habitat.
- Evitar acumulações de água: esvaziar regularmente os pratos dos vasos, tapar depósitos de água da chuva, virar regadores quando não estiverem a ser usados.
- Não deixar a relva crescer em excesso: uma relva de altura média reduz os esconderijos das carraças, sem transformar o espaço num “deserto de relvado de golfe”.
- Manter passagens desimpedidas: aparar relvas e arbustos ao longo de caminhos, para que as carraças tenham menos contacto direto com pernas e pelo do cão.
- Apostar na roupa: em passeios por zonas de mato ou floresta, usar calças compridas e calçado fechado, e puxar as meias por cima da bainha das calças.
- Inspeção após estar ao ar livre: depois de passar tempo em relva alta, verificar cuidadosamente pele e couro cabeludo à procura de carraças.
“O gerânio com cheiro a limão reduz de forma percetível o número de picadas - e, combinado com rotinas simples do dia a dia, a proteção no jardim aumenta claramente.”
O que precisa de saber sobre os cuidados com o gerânio com cheiro a limão
Para que a planta desenvolva todo o seu potencial aromático, exige alguma atenção, mas está longe de ser uma espécie “caprichosa”. Em regra, basta regar com regularidade, evitando encharcamentos. Em semanas de calor intenso no verão, agradece uma verificação diária.
Um fertilizante líquido para plantas de flor a cada duas a três semanas ajuda no crescimento e na produção de aroma. Folhas e flores murchas podem ser removidas com um simples beliscão. Se quiser mantê-la compacta, encurte ligeiramente os ramos mais longos - isso também estimula a ramificação.
No outono, quando as temperaturas se aproximam do ponto de congelamento, o ideal é levar os vasos para dentro de casa ou para um jardim de inverno sem geada. Um local luminoso e fresco, entre 5 e 10 °C, costuma funcionar bem. Na primavera seguinte, a planta volta a entrar em “modo proteção”.
Até que ponto se pode confiar neste tipo de proteção natural?
Os compostos aromáticos da planta fazem efeito, mas não são um escudo mágico. Em noites com muitos mosquitos, perto de massas de água maiores ou em zonas com muita presença de carraças, a “força da planta” por si só normalmente não chega. Nessas situações, faz sentido complementar - por exemplo, com roupa comprida ou um spray repelente testado.
Há também um efeito psicológico interessante: para muita gente, ter uma “planta de proteção” visível dá mais tranquilidade e aumenta a vontade de voltar a passar tempo ao ar livre. E esse é o objetivo de um jardim - sentar-se cá fora, respirar fundo, deixar as crianças brincar, sem estar sempre a pensar em mordidas de carraça ou em picadas de mosquito a coçar.
Quem tiver espaço pode juntar ao gerânio com cheiro a limão outras opções aromáticas, como lavanda ou certas variedades de sálvia. A mistura de aromas incomoda muitos insetos a dobrar e, ao mesmo tempo, fornece alimento para abelhas e abelhões. Assim, cria-se um jardim que protege as pessoas sem excluir os insetos benéficos.
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