Muitos jardineiros amadores plantam os tomates totalmente na vertical - os horticultores fazem diferente e conseguem tirar muito mais partido de cada canteiro.
Na horticultura profissional, há uma técnica vista como uma verdadeira arma secreta para obter tomateiros mais fortes, estáveis e produtivos: a planta não é colocada na vertical, mas deitada numa pequena vala. Embora à primeira vista pareça estranho, este método cria no solo uma rede radicular que as plantas instaladas de forma tradicional dificilmente conseguem desenvolver.
Porque é que os tomates devem ser plantados deitados
O tomate tem uma característica que muitas outras hortícolas não possuem: ao longo de toda a parte do caule coberta com terra, consegue formar as chamadas raízes adventícias. Cada centímetro de caule enterrado pode transformar-se em novas raízes.
Quem planta o tomate simplesmente direito num buraco aproveita muito pouco esta capacidade. A zona radicular fica relativamente concentrada à volta do torrão original. Já com a plantação deitada, forma-se um sistema radicular mais amplo, capaz de explorar um volume de solo muito maior.
Quanto maior for a porção de caule enterrada, mais denso e vigoroso será o sistema radicular - e isso torna toda a planta mais resistente.
Em períodos secos, estas plantas conseguem ir buscar água a camadas mais profundas e laterais do solo. Entram menos depressa em stress, as folhas murcham com menos facilidade e recuperam melhor após fases de calor intenso. No canteiro, mostram-se mais firmes, crescem de forma mais equilibrada e ficam visivelmente melhor ancoradas no solo.
O momento certo para plantar deitado
O ideal é fazê-lo quando as plantas jovens já têm entre 20 e 30 centímetros de altura, mas ainda mantêm caules flexíveis. Muitas viveiros disponibilizam estas plantas em abril ou no início de maio, dependendo da região e das condições meteorológicas.
Tomates ligeiramente “estiolados” - ou seja, plantas compridas e finas por falta de luz - até são especialmente adequados para este método. Em vez de os deitar fora, podem ser colocados deitados e transformar essa parte excessivamente longa do caule em raízes adicionais.
Ainda assim, há uma regra importante: o tomate gosta de calor. As geadas tardias mais fortes devem já ter passado, e o solo não deve estar nem gelado nem encharcado. Quem espera mais alguns dias acaba, na maioria dos casos, por obter plantas mais vigorosas do que quem planta cedo demais em terra fria.
Passo a passo: como funciona a plantação em vala
O método parece mais complicado do que realmente é. Na prática, substitui-se o tradicional buraco de plantação por uma pequena vala rasa.
Os passos mais importantes de forma resumida
- Abrir uma vala com cerca de 10 a 15 centímetros de profundidade.
- Ajustar o comprimento para que quase todo o caule caiba no interior.
- Retirar com cuidado as folhas inferiores e os rebentos laterais na base do caule.
- Deixar apenas a parte superior da planta, com poucas folhas, acima da superfície do solo.
- Deitar o caule na vala com cuidado, sem o dobrar em excesso.
- Cobrir com terra solta e fina e pressionar ligeiramente com a mão.
- Regar logo após a plantação, de forma abundante mas suave.
Uma vala em forma de L é especialmente prática: a parte horizontal recebe o caule, enquanto o pequeno segmento ascendente coloca a ponta do rebento quase na vertical em direção à luz. Ao fim de poucos dias, o topo do tomateiro orienta-se sozinho para o sol.
Os tomateiros procuram sempre a luz - mesmo que comecem deitados, acabam por ficar direitos e bem posicionados.
Que materiais devem ir para a vala
Os profissionais raramente trabalham apenas com terra simples do jardim. Uma ou duas mãos-cheias de composto bem curtido no fundo da vala dão um excelente arranque. As novas raízes chegam lá em poucos dias e encontram uma zona fofa e rica em nutrientes.
Quem quiser pode misturar uma camada fina de terra no composto, para que a transição não seja demasiado brusca para as raízes jovens. Em alguns jardins, também se usam folhas de urtiga picadas. Estas fornecem azoto e oligoelementos; uma pequena mão-cheia por planta é suficiente.
Em solos muito pobres em nutrientes, um pouco de cinza de madeira peneirada pode ser útil para reforçar o potássio. Mas convém dosear com cuidado: em excesso, a cinza eleva o pH e pode travar o desenvolvimento do tomate. O objetivo é um solo equilibrado e arejado, não uma mistura excessivamente fertilizada.
Se o solo do jardim for pesado e retiver demasiada água, surge o maior risco: o apodrecimento da parte enterrada do caule. Nesses casos, ajuda incorporar bastante composto bem decomposto ou areia grossa para melhorar o arejamento. As raízes do tomate precisam de oxigénio; caso contrário, a plantação deitada pode rapidamente tornar-se contraproducente.
Porque é que o método deitado produz plantas mais resistentes
Um sistema radicular extenso não melhora apenas o abastecimento de água. Também funciona como amortecedor face às oscilações de temperatura. Uma parte maior da planta fica protegida no solo, em vez de exposta ao vento e ao ar frio.
Assim, a parte aérea arranca a época de forma mais equilibrada. As folhas costumam ficar um pouco mais altas e mais soltas, e a planta aparenta estar mais erecta, embora debaixo da terra esteja colocada horizontalmente. Isso favorece a circulação de ar à volta da folhagem.
Folhagem bem arejada seca mais depressa - e doenças fúngicas como o míldio encontram condições bem menos favoráveis para se instalarem.
Com o passar das semanas, o tomateiro forma mais rebentos laterais e os cachos florais surgem mais bem distribuídos. Muitos jardineiros relatam plantas mais duradouras, que se mantêm firmes até ao fim do verão, em vez de cederem cedo ou ficarem depauperadas.
Erros frequentes ao plantar tomates deitados
Enterrar mal plantas enxertadas
Nos tomates enxertados, o ponto crítico é a zona de enxertia. Esta deve ficar sempre visível e claramente acima do solo. Se for enterrada, a variedade enxertada formará raízes próprias e a vantagem da enxertia perde-se.
Partir o caule em vez de o dobrar
Basta um gesto brusco para o caule flexível ficar vincado ou partir. Isso enfraquece a planta e abre caminho a doenças. O melhor é pousar o tomateiro suavemente na vala, sem o forçar para baixo. Se a planta já estiver demasiado rija e lenhosa, deixa de ser a melhor candidata para esta técnica.
Não usar suporte
Uma estaca resistente, um fio ou uma vara em espiral devem ser colocados logo no momento da plantação. O tomateiro crescerá para cima enquanto, ao mesmo tempo, forma novas raízes no solo. Se o apoio só for instalado mais tarde, corre-se o risco de danificar o sistema radicular recém-formado.
Esta técnica também resulta em vaso?
Sim, a plantação deitada também funciona em vasos grandes ou floreiras. O essencial é que o recipiente tenha profundidade suficiente e, sobretudo, uma drenagem fiável. O encharcamento na parte inferior é prejudicial para qualquer tomateiro - deitado ou direito.
As variedades altas, de crescimento indeterminado, que formam continuamente novos rebentos e flores ao longo de meses, são particularmente interessantes. Beneficiam bastante de um sistema radicular forte. Mas também os tomates de porte compacto podem ser iniciados desta forma, desde que ainda sejam jovens e flexíveis.
Indicações práticas para o dia a dia no canteiro
Depois da plantação, vale a pena prestar atenção ao ritmo de rega. O tomateiro deve ser bem regado logo após ser colocado, seguido de uma curta fase mais seca, para estimular as raízes a expandirem-se em busca de água. Terra constantemente húmida junto ao caule favorece o apodrecimento.
Uma camada fina de cobertura morta com relva cortada, palha ou folhas trituradas ajuda a conservar a humidade no solo e protege as novas raízes contra o aquecimento excessivo. Importante: não encostar este material diretamente ao caule; deve ficar uma pequena zona de ar à volta.
| Aspeto | Plantação vertical | Plantação deitada |
|---|---|---|
| Alcance das raízes | mais localizado | bem distribuído |
| Estabilidade ao vento | média | elevada |
| Comportamento em períodos secos | entra rapidamente em stress | muito mais tolerante |
| Risco de infeção por fungos | maior com folhagem densa | reduzido graças a melhor ventilação |
Para quem esta técnica compensa mais
Quem cultiva em solos arenosos conhece bem o problema dos tomateiros secarem depressa. É precisamente aí que a plantação deitada mostra a sua maior vantagem, porque as raízes conseguem explorar mais solo. Em regiões muito chuvosas, também ajuda, já que uma massa radicular maior lida melhor com variações no fornecimento de água.
Para iniciantes, esta técnica também é interessante: tolera plantas jovens finas ou algo demasiado compridas, que cresceram no parapeito da janela com pouca luz. Um tomate “mal formado” pode ainda transformar-se numa planta robusta no canteiro, desde que o caule enterrado passe a funcionar como uma verdadeira fábrica de raízes.
Dicas adicionais para tomateiros ainda mais fortes
Se já vai trabalhar o solo, pode também pensar nas plantas companheiras. Manjericão ou calêndulas entre os tomateiros dão mais diversidade ao espaço e podem confundir alguns insetos prejudiciais. Alguns jardineiros defendem ainda uma remoção ligeira das folhas mais baixas ao longo do verão, para melhorar ainda mais a circulação de ar.
Outro ponto importante: adubações regulares e moderadas funcionam melhor do que uma única dose forte logo na altura da plantação. O tomate aproveita melhor o seu sistema radicular alargado quando o solo é alimentado de forma contínua, mas sem excessos. Assim, a planta mantém-se vigorosa, cresce de forma controlada e produz frutos aromáticos durante muitas semanas.
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