Saltar para o conteúdo

Morcegos em casa: como afastar de forma legal e sem crueldade

Pessoa a instalar uma caixa-ninho numa casa, com morcegos a voar ao pôr do sol.

O que fazer agora?

Muitos proprietários ficam alarmados quando descobrem que uma colónia de morcegos se instalou no edifício. Estes animais são rigorosamente protegidos, podem transmitir doenças e, com o passar do tempo, causar danos. Ainda assim, entrar em pânico ou fazer experiências por conta própria não é a solução. Quem conhece algumas regras básicas consegue afastar os morcegos de forma legal, cuidadosa e duradoura.

Porque é que os morcegos escolhem precisamente a sua casa

Os morcegos não são monstros; do ponto de vista deles, são apenas inquilinos práticos. Procuram esconderijos semelhantes aos seus abrigos naturais: quentes, escuros, protegidos de predadores e o mais sossegados possível.

Por isso, sótãos, cavidades nas paredes, espaços por trás de revestimentos de fachada ou chaminés fora de uso são locais ideais. Entram por aberturas minúsculas. Muitas espécies passam por fendas com pouco mais de meio centímetro de largura. Mesmo casas modernas e em bom estado não estão, por isso, automaticamente protegidas.

Um edifício torna-se ainda mais apelativo quando existem nas proximidades condições favoráveis, como:

  • Água, como lagoas, rios ou valas
  • Jardins, pomares tradicionais, florestas ou sebes
  • Grande presença de insetos, por exemplo junto de zonas agrícolas

Os morcegos comem todas as noites enormes quantidades de mosquitos e outros insetos. Quem vive num ambiente destes tem, estatisticamente, maior probabilidade de os receber. E as cidades não são exceção: os candeeiros atraem insetos - e, com eles, os seus caçadores.

Sinais típicos de que há morcegos em casa

Quem atua cedo evita colónias maiores e obras de reparação dispendiosas. Alguns indícios são, por exemplo:

  • piores suaves ou sons de arranhar pouco depois do pôr do sol ou antes do amanhecer
  • marcas escuras e oleosas em fendas, rachas e saliências da parede - causadas pelos óleos do corpo
  • pequenos montes de excrementos escuros e quebradiços (guano) no chão, peitoris ou vigas do telhado
  • observação direta: morcegos a sair repetidamente ao entardecer da mesma abertura

Quem vê morcegos a entrar e sair com frequência do mesmo ponto tem, com grande probabilidade, um abrigo no edifício - e deve agir sem demora.

O guano não é apenas incómodo. Pode conter o fungo Histoplasma capsulatum, que, quando inalado, pode provocar infeções respiratórias. Por isso, limpar sem máscara de proteção e roupa descartável é uma má ideia.

Limites legais: porque é que os morcegos não podem simplesmente ser “retirados”

Na Alemanha e em muitos outros países, os morcegos estão sob proteção rigorosa. Muitas espécies encontram-se ameaçadas, entre outras razões pela perda de habitat e por doenças como a chamada síndrome do nariz branco.

Quem os mata, captura ou destrói os seus abrigos arrisca coimas elevadas. Em alguns casos, aplicam-se inclusive leis específicas de proteção da natureza ou programas especiais de conservação. Por isso, a regra é clara: antes de tomar medidas mais profundas, deve sempre informar-se junto da autoridade ambiental competente, do departamento do ambiente ou de um especialista regional em morcegos.

O momento certo: quando é permitido e sensato afastá-los

O período mais sensível é aquele em que as fêmeas criam as suas crias. Nessa fase, os juvenis ainda não voam e permanecem dependentes no abrigo. Se as mães forem impedidas de regressar, as crias morrem de forma cruel - e o sótão transforma-se num problema de saúde e de odores.

Estação do ano Atividade típica dos morcegos Recomendação
Primavera (março–abril) Ativos, ainda antes das colónias de criação Boa fase para afastamento e vedação
Verão (maio–agosto) Nascem e são criadas as crias Não afastar, deixar o abrigo intacto
Outono (setembro–outubro) As colónias dispersam-se, os animais mudam-se Fase muito favorável para intervir
Inverno (novembro–fevereiro) Hibernação ou migração para outras regiões Deixar em paz, evitar perturbações

No inverno, algumas espécies podem mesmo hibernar dentro da casa, muitas vezes escondidas em fendas profundas. Quem fizer obras de forma descuidada pode acordá-las e colocá-las em risco de vida, porque as reservas de gordura podem deixar de chegar até à primavera.

Como funciona, na prática, um afastamento respeitador dos animais

O método mais indicado são os chamados dispositivos de saída única. Estes permitem que os morcegos abandonem o abrigo ao entardecer, mas impedem o regresso pela mesma abertura.

Dispositivos de saída única: paciência em vez de força

Estes dispositivos podem ser comprados a nível profissional, mas com alguma habilidade também podem ser feitos em casa - por exemplo, na forma de tubos ou túneis de rede colocados sobre a abertura de entrada.

A ideia é simples: os morcegos saem para voar, e quando regressam já não conseguem encontrar a abertura original, procurando outros abrigos - idealmente caixas para morcegos colocadas previamente.

A preparação é essencial:

  • Observar durante alguns fins de tarde: por onde entram e saem exatamente os animais?
  • Anotar todos os pontos de acesso - muitas vezes há vários, por vezes separados por apenas alguns centímetros.
  • Instalar os dispositivos ao fim da tarde ou no início da noite, quando os animais ainda estão no abrigo, mas prestes a sair.
  • O processo costuma durar entre três e sete noites. Depois disso, já não se deverá ouvir nem ver atividade. Se houver dúvidas, o melhor é pedir a uma empresa especializada ou a um perito em morcegos que confirme se o abrigo está realmente vazio.

    Depois, vedar: fechar consistentemente todos os pontos fracos

    Só quando houver a certeza de que já não há qualquer morcego dentro da casa é que se passa ao segundo passo: selar tudo. Caso contrário, no ano seguinte poderá surgir uma nova colónia - ou outra espécie poderá aproveitar as mesmas aberturas.

    Alguns materiais eficazes são, por exemplo:

    • Espuma de isolamento para fendas e juntas finas
    • Lã de aço ou malha de cobre, colocadas em fendas médias antes de rebocar
    • Rede metálica para aberturas maiores, ventilações e beirais
    • Vedantes de portas e escovas de vedação em portas de sótão
    • Tampas e coberturas para chaminés e tubos de ventilação

    As empresas especializadas oferecem muitas vezes garantias de que as áreas tratadas permanecem livres de morcegos. Em muitos casos, também tratam da remoção correta do guano - com proteção respiratória, fatos descartáveis e métodos de trabalho com pouca produção de pó.

    Manter a casa livre de morcegos a longo prazo - sem prejudicar os animais

    Quem já teve esta visita deve permanecer mais atento no futuro. Uma breve inspeção à casa antes da “época dos morcegos”, na primavera, pode fazer toda a diferença. Os pontos fracos mais comuns são:

    • transições entre o telhado e a fachada
    • telhas soltas ou danificadas
    • beirados, tábuas de beiral e frentes de telhado
    • junções entre materiais diferentes, por exemplo madeira e reboco

    Uma lanterna forte pode ser muito útil: as fendas pequenas veem-se melhor quando a fachada é iluminada lateralmente. Se forem detetados danos maiores, o ideal é repará-los fora dos meses de verão.

    Caixas para morcegos: realojar em vez de expulsar

    Quem tiver espaço pode oferecer alternativas aos animais. As caixas próprias para morcegos são instaladas no exterior, em fachadas ou postes isolados, a cerca de 4 a 6 metros de altura. Locais soalheiros, protegidos do vento e virados a sudeste ou sul costumam resultar bem.

    Estas caixas conseguem alojar muitas dezenas de animais. Continuam a garantir um controlo natural dos mosquitos no jardim e, ao mesmo tempo, aliviam a pressão sobre sótãos e fachadas. Não há garantia de que os morcegos as aceitem, mas as probabilidades aumentam quando já existe bastante atividade na zona envolvente.

    O que mais os proprietários devem saber

    Muitas pessoas têm medo dos morcegos, sobretudo por causa da raiva. Na Europa, de facto, apenas muito poucos animais estão infetados. O risco global é baixo, mas continua a aplicar-se a regra essencial: nunca tocar num morcego com as mãos desprotegidas, especialmente se estiver no chão ou parecer apático. Nesses casos, o melhor é contactar um centro de recuperação de animais selvagens, uma associação de proteção animal ou um especialista em morcegos.

    Quem pretende fazer obras ou ampliar a casa - por exemplo, transformar o sótão em espaço habitável - deve verificar com antecedência se ali vivem morcegos. Quando há conflito entre a construção e a proteção das espécies, os especialistas costumam encontrar soluções práticas, como abrigos alternativos, trabalhos faseados no tempo e iluminação adaptada.

    Além disso, estes animais também trazem vantagens aos proprietários: pragas de insetos no jardim, mosquitos junto ao lago, traças e borboletas noturnas na varanda - tudo isto pode ser reduzido significativamente por uma população estável de morcegos. Quem torna as partes do edifício seguras contra morcegos e, ao mesmo tempo, oferece abrigos no exterior consegue, a longo prazo, a melhor combinação entre proteção da casa e apoio a um grupo animal ameaçado.

    Comentários

    Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

    Deixar um comentário